Pela Estrada afora
Leo Cunha
PROJETO DE TRABALHO INTERDISCIPLINAR
GUIA DO PROFESSOR
Este guia tem em vista uma abordagem interdisciplinar de uma das questões enfocadas na obra Pela estrada afora: a morte. Objetiva desenvolver nos alunos tanto a reflexão quanto o trabalho coletivo e o espírito criativo.
As atividades aqui sugeridas estão divididas em três partes. Na primeira, procura-se motivar os alunos a ler integralmente o livro. Na segunda, o objetivo é fazer uma ponte entre a obra e o contexto dos alunos, conversando um pouco sobre a morte (de uma pessoa querida ou mesmo de um animal de estimação). Na terceira parte, buscamos orientar a elaboração de um livrinho que reúna outras histórias que também tratem, direta ou indiretamente, da morte.
MOTIVAÇÃO PARA A LEITURA
1. Escreva na lousa a frase "Pela estrada afora..." e pergunte aos alunos de que eles se lembram ao ouvi-la. Provavelmente muitos vão se referir à história de Chapeuzinho Vermelho, na qual a protagonista canta uma música, bastante conhecida, que começa justamente com essas palavras. Peça que expliquem o motivo da associação.
2. Depois, diga-lhes que esse é o título de um livro que eles deverão ler, que conta a história de alguém que está numa estrada e não sabe o que há no final dela nem o que vai acontecer no meio do caminho. Peça que façam um desenho adotando o ponto de vista dessa pessoa, usando a imaginação. Acabados os desenhos, afixe-os no quadro-negro ou na parede, para que os alunos possam ver os trabalhos uns dos outros.
3. Faça circular na classe um exemplar do livro, para que os alunos tenham um primeiro contato com ele. Depois, estabeleça um prazo para que todos possam lê-lo.
DO TEXTO AO CONTEXTO
4. Uma vez que todos tenham lido o livro, inicie novamente uma conversa com a turma, tirando dúvidas, recapitulando os principais episódios, as partes de que mais gostaram, etc. Pode ser interessante trazer para a classe um bom dicionário, para que os alunos possam procurar o significado das várias palavras "esdrúxulas" citadas (e amadas...) pelo narrador.
5. Em seguida, pergunte-lhes o que acharam do fato de, no final, a querida avó do menino ter morrido. Eles ficaram muito tristes? Chocados? Preferiam um outro final? Qual?
6. Mesmo os alunos sendo muito jovens, muitos já tiveram que conviver de alguma forma com a morte - de uma pessoa querida, de um parente distante, de um animal de estimação, etc. Pode-se aproveitar a oportunidade para tocar no assunto, de forma delicada e respeitosa. O que eles pensam que acontece quando uma pessoa morre? Provavelmente, muitos comentarão sobre suas crenças religiosas. Trabalhe as diferenças de visão sobre isso, estimulando-os a perceber que essa é uma questão controversa, há várias maneiras de abordá-la e é preciso respeitá-las.
7. Depois, pergunte a eles se se lembram de outras histórias nas quais os personagens morrem, ou quase morrem. É possível que citem narrativas de fantasmas e assombração, por exemplo. A própria história de Chapeuzinho Vermelho, que morre e não morre junto com sua vovozinha, pode ser retomada (ou a dos três porquinhos). Há a morte da mãe do Bambi. Tom e Jerry vivem se engalfinhando, e só não morrem porque o desenho animado não é realista. Os super-heróis vivem à beira da morte, desafiando-a. Estimule os alunos a ir à frente da sala para contar as histórias de que se lembram, para que a classe toda possa comentar, em seguida, de que jeito a morte aparece (ou desaparece) nelas.
8. Apresentamos a seguir uma versão da lenda do Negrinho do pastoreio. Trata-se de uma lenda "meio africana meio cristã, muito contada no final do século passado pelos brasileiros que defendiam o fim da escravidão. É muito popular no Sul do Brasil". Tire cópias dela e leia-a com a classe (não se esquecendo de trabalhar as dúvidas de vocabulário que provavelmente surgirão):
Nos tempos da escravidão, havia um estancieiro malvado com negros e peões. Num dia de inverno, fazia frio de rachar e o fazendeiro mandou que um menino negro de catorze anos fosse pastorear cavalos e potros recém-comprados. No final do tarde, quando o menino voltou, o estancieiro disse que faltava um cavalo baio. Pegou o chicote e deu uma surra tão grande no menino que ele ficou sangrando. ''Você vai me dar conta do baio, ou verá o que acontece'', disse o malvado patrão. Aflito, ele foi à procura do animal. Em pouco tempo, achou ele pastando. Laçou-o, mas a corda se partiu e o cavalo fugiu de novo.
Na volta à estância, o patrão, ainda mais irritado, espancou o garoto e o amarrou, nu, sobre um formigueiro. No dia seguinte, quando ele foi ver o estado de sua vítima, tomou um susto. O menino estava lá, mas de pé, com a pele lisa, sem nenhuma marca das chicotadas. Ao lado dele, a Virgem Nossa Senhora, e mais adiante o baio e os outros cavalos. O estancieiro se jogou no chão pedindo perdão, mas o negrinho nada respondeu. Apenas beijou a mão da Santa, montou no baio e partiu conduzindo a tropilha.
(Disponível em:
http://sitededicas.uol.com.br/folk08.htm
)
9. Há outras versões dessa história. Pergunte aos alunos se eles conhecem alguma. Depois, comentem o modo como a morte aparece na história.
PREPARAÇÃO E APRESENTAÇÃO DOS LIVRINHOS
10. Diga aos alunos que eles deverão escolher, reunidos em pequenos grupos, uma história que trate, de alguma maneira, da morte e que ainda não tenha sido citada. Eles poderão pedir ajuda a seus familiares ou outras pessoas mais velhas, ou fazer uma boa pesquisa na biblioteca.
11. Escolhida a história, os grupos se encarregarão de recontá-la, isto é, de dar-lhe uma nova redação, alterando ou não alguns aspectos.
12. Depois, os grupos deverão também ilustrar a história, da maneira que quiserem. Para isso, poderão pedir ajuda ao professor de Artes.
13. É interessante que os grupos "guardem segredo" sobre a história que estão trabalhando (não em relação a você, é claro, mas em relação aos outros grupos). Assim, haverá certo suspense no dia da apresentação dos trabalhos.
14. No dia combinado, os alunos trarão para a classe os textos ilustrados. (Antes disso, marque com cada grupo um dia para você poder corrigir as redações junto com eles.) Faça circular os trabalhos, para que todos possam ver o que os outros grupos fizeram.
15. Reúna novamente a turma toda, para fazer uma auto-avaliação da atividade.
16. Vocês poderão então fazer cópias dos trabalhos, criando assim pequenos livrinhos que serão mostrados a alunos de outras classes. Não se esqueça de dizer às crianças que o livrinho deverá ter um título!