AS AVENTURAS DO MARUJO VERDE
Gláucia Lemos
PROJETO DE TRABALHO INTERDISCIPLINAR
GUIA DO PROFESSOR
As atividades aqui sugeridas estão divididas em três partes. As atividades da primeira parte têm em vista sensibilizar os alunos para a observação da diversidade biológica e cultural e motivá-los a fazer a leitura integral da obra. O conjunto de atividades seguinte procura promover a integração entre texto e contexto, utilizando-se do primeiro como ponto de partida para uma reflexão a respeito da diversidade, principalmente cultural. As últimas atividades consistem na pesquisa e organização da montagem de uma Mostra da Diversidade.
MOTIVAÇÃO PARA A LEITURA
Objetivos:
" Motivar os alunos a ler integralmente a obra.
" Sensibilizar os alunos para a temática da obra.
" Acionar os conhecimentos prévios dos alunos acerca da temática apresentada na obra.
Relato de diferentes paisagens que refletem diversidade biológica e cultural
1. Pergunte aos alunos se eles já fizeram alguma viagem para um lugar bem diferente, ou se lembram de algum filme ou livro que se passe num lugar bem diferente. Em seguida, peça que três deles descrevam esse lugar aos demais, seguindo o roteiro:
" Como é a vegetação desse local? Há muitas ou poucas plantas? As árvores e flores são diferentes das que existem perto de onde você mora? Como elas são? Descreva-as para seus colegas e ouça as descrições deles. As paisagens descritas são bem diferentes umas das outras?
" Que animais vivem no local? Como eles são? Há nesse local algum animal que você nunca tinha visto antes? Qual? Como ele é? Descreva-o(s) para seus colegas e ouça as descrições deles. Os animais descritos são bem diferentes uns dos outros?
" E as pessoas que moram nesse local? Como se vestem? O que comem? Como se divertem? Há alguma coisa no modo de vida dessas pessoas que seja bem diferente do seu modo de vida? O quê?
" Você gostaria de fazer uma viagem para esse lugar ou para qualquer outro, bem diferente? Por quê?
Deixe os outros alunos à vontade para fazerem também perguntas sobre o lugar que está sendo descrito. Se possível, faça com que pelo menos uma das descrições seja baseada em livro ou filme, pois, desse modo, privilegia-se a imaginação e evita-se que alunos que não viajaram sejam preteridos.
2. Conte para a classe que, no livro As aventuras do marujo verde, a personagem Alberto, um papagaio brasileiro, viaja nas costas de uma baleia, sua amiga Valderez, pelas ilhas do Pacífico e do Índico, conhecendo animais, plantas e culturas bem diversas das que existem por aqui. Em seguida, juntamente com os alunos, localize no mapa onde ficam esses oceanos, bem como as ilhas que poderiam estar no percurso das personagens. Pergunte aos alunos:
" Que tipo de paisagens provavelmente Alberto vai encontrar?
" Haverá animais diferentes dos que existem no Brasil?
" E plantas?
" E quanto aos seres humanos, será que eles têm um modo de vida diferente?
" Alberto enfrentará algum perigo?
Dizer aos alunos que, ao lerem o livro, terão as respostas para essas perguntas.
DO TEXTO AO CONTEXTO: DIVERSIDADE BIOLÓGICA E CULTURAL
Objetivos
" Ampliar o repertório dos alunos com relação à temática da obra, dando-lhes condições de opinar acerca dela, bem como de poder atuar em sua comunidade de forma mais consciente.
" Desenvolver o espírito investigativo dos alunos.
" Levar os alunos a fazer pesquisas bibliográficas e de campo.
" Estimular o trabalho interdisciplinar.
Professores de todas as disciplinas podem contribuir para a realização das atividades seguintes, uma vez que elas não se referem a um conteúdo específico, mas aos procedimentos de leitura e pesquisa, bem como ao desenvolvimento de valores e atitudes.
Motivação para a discussão
3. Promover uma conversa em sala de aula, levando os alunos a elencar as culturas, animais e plantas com os quais Alberto entra em contato em suas viagens.
Documentário, leitura complementar, pesquisa e exposição
4. Para dar continuidade à observação da biodiversidade e da diversidade cultural existentes em nosso planeta, proponha aos alunos as seguintes atividades:
a) Assistir a algum documentário (vídeo ou tevê) que apresente ecossistemas de determinado ponto do planeta. (Há vários documentários produzidos pela Geográfica Universal, bem como vídeos institucionais, fornecidos pelas secretarias de Educação às escolas.)
b) Ler o texto Uma lenda da criação do homem , de Ruth Rocha, apresentado a seguir. Se achar conveniente, peça aos alunos e aos professores de outras disciplinas que tragam para a classe histórias provenientes de outras culturas, que também contem como o homem foi criado. Para isso, pode-se fazer uma pesquisa bibliográfica ou consultar conhecidos ou pessoas da família. É importante que os alunos também contem a sua versão da criação do homem. Seria bastante interessante se o professor de Ciências também apresentasse a sua teoria.
Uma lenda da criação do homem
Cada povo, desde os esquimós, que moram quase no pólo norte, até os [ótagões, que moram quase no pólo sul, tem uma maneira diferente de explicar a criação do mundo, a origem dos homens, dos animais e das plantas. Cada povo conta suas próprias lendas, nas quais o seu povo é o melhor do mundo, o mais esperto, o mais bonito, o mais querido por Deus.
Até as diferenças entre as raças, o fato de as pessoas terem cor diferente, serem mais ou menos altas, mais ou menos gordas ou terem cabelos mais ou menos crespos, são explicadas por essas lendas. Essa que eu vou contar é uma lenda dos índios da América. Como vocês vão ver, eles estão crentes que os povos morenos, bronzeados, como eles, é que são mais bonitos.
Isso acontece com os povos primitivos. Quanto mais civilizado for um povo, mais ele vai perceber a beleza que existe nos outros, que são diferentes dele mas que têm seu próprio tipo de beleza.
Deus um dia resolveu fazer o homem. Pensou, pensou e fez três bonecos de barro. Todos muito bonitos, bem acabados.
Aí achou que devia cozinhar os bonecos, como as mulheres da aldeia faziam com os potes de barro.
Enquanto os bonecos secavam ao sol, Ele fez um forno grande.
Botou bastante lenha dentro, botou os bonecos e fez um fogaréu.
Esperou, esperou e então começou a ficar impaciente. Ele estava muito animado com o trabalho e muito curioso para ver os resultados.
Não demorou muito. Ele não agüentou e tirou o primeiro boneco. Que decepção!
O boneco estava cru. Branco, desbotado, pálido, parecia doente.
Ele botou o boneco de lado e ficou esperando os outros. Desta vez teve mais paciência e esperou bastante. Então tirou o segundo boneco. Que alegria!
Era exatamente o que Ele queria! Bronzeado, moreno, tinha uma linda cor de saúde, estava no ponto!
Deus ficou tão entusiasmado com a Sua obra, olhou por todos os lados, achou que tinha feito um ótimo trabalho, que esqueceu o terceiro boneco.
E quando lembrou e foi tirar do forno o último boneco, que pena! Estava todo queimado!
É assim que os índios da América explicam a existência de brancos, negros e índios.
(Ruth Rocha, Nova Escola, abril/1986.)
Discussão
5. Após a exposição dos alunos e dos professores de outras histórias que expliquem a criação do homem, discuta com eles o fato de que as diferenças de ordem biológica e cultural não implicam valoração qualitativa. Pode ser interessante introduzir a discussão com o seguinte trecho do texto de Ruth Rocha: Quanto mais civilizado for um povo, mais ele vai perceber a beleza que existe nos outros, que são diferentes dele mas que têm seu próprio tipo de beleza .
PRODUÇÃO DE UMA MOSTRA DA DIVERSIDADE
6. Solicite aos alunos que se dividam em grupos e escolham um povo ou uma comunidade do Brasil ou não) para pesquisar. Primeiramente, eles deverão situar espacialmente a comunidade escolhida e levantar algumas informações básicas sobre sua história, população, etc. Em seguida, os alunos aprofundarão a pesquisa, levantando alguns dos seguintes aspectos:
" comemoração do nascimento de uma criança ou de aniversário;
" ritual de passagem para a adolescência ou para a vida adulta;
" casamento;
" vestuário, lazer e alimentação;
" expressão artística (música, dança, artesanato, artes plásticas, etc.);
" forma de relação com animais e plantas;
" distribuição do trabalho;
" explicação de fenômenos físicos, químicos ou geográficos (estações do ano, relâmpagos, terremotos, existência de vulcões, etc.).
Os resultados da pesquisa poderão ser apresentados em cartazes contendo fotos e textos. Se for o caso, os alunos poderão trazer músicas, esculturas ou objetos da cultura analisada.
7. Uma vez prontos os trabalhos, organize uma mostra, para que cada grupo apresente o resultado de sua pesquisa. Ao final, proponha aos alunos que discutam a seguinte questão: Podemos dizer que existe uma cultura melhor que a outra?