Poemas sapecas, rimas traquinas
Almir Correia / Ilustrações: Regina Miranda
O livro
O livro traz uma coletânea de poemas. Sapecas e traquinas, ternos e emocionados, eles divertem e encantam o leitor que se deixa tocar pela magia da poesia. O eu lírico mostra-se bastante sintonizado com o modo de ser infantil, capaz de irrevecerências e traquinagens, tanto quanto de ternura espontânea, sonho e curiosidade.
O texto
Questões de compreensão
- A poesia infantil moderna abre espaço para o novo, a liberdade e a dessacralização dos costumes na sociedade atual. Lendo com os alunos a dedicatória do livro, perguntar: Como a leitura pode ser um mundo traquinas, cheio de fantasias sapecas ?
- Leve as crianças a perceberem a força da palavra/ imagem no texto poético. Veja no poema Codorninha do sertão : o que é desbotar? E desbotar um lamento? (p. 6)
- Distribua fichas com pequenas perguntas para duplas ou trio de alunos (depende do tamanho da turma), que irão discuti-las, e depois dirão, à frente, o que acharam.
- A vaca em pó é aquela que dá leite em pó? (p. 7) Por que ela não mugia nem tinha alegria?
- No poema Bife (p. 8), a vaquinha com faróis e sininho já existe? O grupo conhece a marchinha Tem boi na linha, ou já ouviu essa expressão?
- Contar carneirinhos causa consaço ou tonteira? A lua estava mesmo tonta? (p. 9)
- As luzinhas piscando do disco-voador foram confundidas pelo boi míope (p. 11). O que ele pensou? O que é miopia?
- É possível engolir a fauna brasileira (p. 12). Quem teria sido esse guloso . Um gigante, as máquinas, o progresso? O homem, a poluição, ou outra coisa diferente?
- Em Olho gordo (p. 26) há um olho perigoso, destruidor. Que olho é capaz de colocar as estrelas no lugar?
(Antes da apresentação dos comentários, seria bom que os alunos lessem, bem bonito, o poema focalizado.)
Questões de linguagem
- Pergunte aos alunos se conhecem a expressão gatos pingados . Como eles imaginam a inundação da cozinha causada pelos gatos que pingaram? (p. 11)
- Ponha no quadro: O cri-cri dos grilos são pedacinhos de noite (p. 13). Lembre outras onomatopeias que sejam sons noturnos e que se encaixem na metáfora, como: O croc-croc dos sapos são pedacinos de noite.
- As cores têm sentidos muito especiais. No poema Tese (que é uma coisa proposta para ser discutida), o que se discute? O que seria: fugir amarelo, anil, verde e rosado?
- Reflita com os alunos sobre o emprego da palavra vaga (ver no dicionário, com atenção), observando a espontaneidade e a beleza que o jogo de palavras proporciona. (p. 16)
- Os sons dão a nota predominante em Coração bom-bom (p. 20). Faça uma leitura jogralizada do poema e depois pergunte por que o coração buzina em toda esquina. Veja também que as onomatopeias foram trocadas (tum-tum por fon-fon).
- No poema Amigos (p. 24), a colocação da palavra quase determina a situação dos dois cachorros . Quem são eles?
- Em Vacas avacalhadas , (p. 28) troque as palavras, conservando o mesmo som na rima. É um exercício semelhante ao reconto na prosa e pode ser uma espécie de pastiche (imitação do estilo do autor original). Por exemplo: Vaca amarela/ caiu da pinguela; Vaca preta/ perdeu a muleta; Vaca branca/ só tem uma anca, e assim por diante.
Bate-papo, pesquisa & companhia
- Brinque de musicar poemas: peça que a turma coloque uma melodia conhecida, folclore ou MPB (rock, pagode, rap etc.) no Poema do nada (p. 22-23).
- Com o auxílio de instrumentos da bandinha ou improvisados com latas e caixas, batuque o poema Samba (p. 27). Se quiser, a turma pode variar o nome do bicho, na última linha, como: Que um tigre te cutuque , ou Que um tatu te cutuque , criando novas sonoridades.
- Pesquise na biblioteca outros livros de poesia que considerem bonitos, cheios de emoção, procurando saber um pouco sobre seus autores, que são tão esquecidos/ omitidos.
- Debate: leia para os alunos o texto de Mario Quintana e, em seguida, peça a sua opinião contra ou a favor: Os livros de poemas devem ter margens largas e muitas páginas em branco e suficientes claros nas páginas impressas, para que as crianças possam enchê-los de desenhos (& ) que passarão também a fazer parte dos poemas (In: Nova antologia poética, Ed. Globo, p. 147)
Produção de texto
- Leia duas vezes o Poeminha da manhã (p. 7) e crie o Poeminha tão bão . As crianças darão ideias que serão colocadas no quadro, com a devida disposição gráfica. Esse poema metalinguístico (que fala da sua própria construção) costuma espelhar a visão do aluno em relação ao seu fazer poético, isto é, suas dificuldades, sua sensibilidade, sua rapidez na escolha das ideias etc. A postura do professor em relação a esse trabalho suado , que é a construção de um poema de qualidade, pode definir futuras vocações poéticas na classe. Um elogio sincero sempre cai bem& e uma sugestão para modificação também&
- Escolha um poema e crie uma ilustração (texto não verbal) bem diferente daquela que a ilustradora fez.
- Curiosidade: pergunte se os alunos repararam no rabo do passarinho, em Poeminha da manhã (uma lira). Antigamente os poemas emotivos, sentimentais eram declamados ao som de um instrumento de corda, chamado lira . Daí o nome poesia lírica . Na oportunidade, convide os alunos à leitura do último poema (p. 30), que esbanja lirismo. Faça uma adaptação do poema, enfocando coisas que ferem, que fazem doer o coração, mas que há uma maneira de atenuar o sofrimento. Por exemplo: Passe/ passe bastante merthiolate no meu ferido coração/ Mas antes.....................................
Se o aluno quiser, poderá ilustrar o trabalho.
- Um poema pode mostrar alegria, dor, saudade, ternura& Peça aos alunos que, em pequenos grupos, escolham um poema e o reescrevam em prosa, justificando a presença de um daqueles ingredientes que o texto mostrou. Se tiver ingredientes misturados, não faz mal!
O projeto gráfico
Converse sobre os seguintes pontos:
- A boa ilustração mostra mais ou, às vezes, esconde mais tudo aquilo que o texto fala. No poema Amigos (p. 24), o carrinho de cachorro-quente não aparece, mas quase podemos vê-lo. Por quê?
- Verifique em outras páginas exemplos de ilustrações que escondem algo, ou mostram mais coisas que o texto diz.
- Na p. 6, que torre é essa? Consulte o texto que a resposta é fácil. Se a turma não deduzir, diga que, naquele dia, estão pra lá de Bagdá& .
- Comente a técnica empregada pela ilustradora que usou desenhos, xerox, colagem para fazer cenas harmoniosas e ricas. Os alunos podem escolher cada um o poema de sua preferência e ilustrá-lo com outra(s) técnica(s).