O livro
A história é narrada nas cartas que Marisa escreve para a prima Ângela. Além de fatos do cotidiano de sua casa, da escola, dos amigos, Marisa conta, ao longo do livro, o desenrolar do mistério que se criou em torno do novo vizinho um ser "invisível", o misterioso morador da casa verde. O texto é leve, muito agradável, escrito em forma de narrativa epistolar, falando sobretudo sobre a amizade e o encontro com o outro.
Tema transversal
- Ética: respeito em relação às diferenças entre as pessoas (as crianças e o velho pintor); o respeito como condição necessária para o convívio social democrático; uso e valorização do diálogo como instrumento para esclarecer dúvidas (as crianças e o morador da casa verde).
O texto
Questões de interpretação
- Contar histórias sempre foi uma coisa gostosa para quem conta e para quem ouve. Pergunte aos alunos se gostaram de alguma história em especial. Em que carta Marisa a contou?
- Outras propostas:
- Pelas cartas de Marisa, que características (qualidades ou defeitos) você acha que ela tem? E as cartas de Ângela, o que dizem? Como você imagina o jeito dela, o temperamento?
- Na página 11, o pai de Chico disse que foi tomar um pouco de ar, mas estava com a janela fechada e de olho num buraquinho da janela. O que será que ele estava olhando?
- Apesar de ter sempre bastante assunto, numa de suas cartas Marisa escreve muito pouco. Por quê?
- Há pessoas que moram a vida inteira na mesma casa, no mesmo bairro; outras vivem mudando. A que "grupo" seu Genésio pertencia? Por quê?
- Seu Genésio era muito distraído. De que modo ele demonstrava essa característica?
- A última carta de Marisa é muito importante e reveladora. O que você pensou quando a leu?
- Todas as estratégias para a invasão da casa verde fracassaram. O que você teria feito para descobrir quem era o vizinho misterioso?
Questões de linguagem
- Os meninos chamavam o "bicho-papão" cada vez mais alto (p. 18). Na primeira frase, eles dizem marrão, em vez de marrom. Pergunte aos alunos se sabem o motivo.
- Os apelidos sempre têm uma história. Converse sobre a origem de Carlão-sem-sabão e Chico-não-valeu.
- Pergunte à classe o que achou das cartas de Marisa e das cartas de Ângela. Mostre que elas refletem o modo de falar da criança. As frases são escritas do jeito como são faladas. Peça aos alunos que copiem no caderno um trechinho que seja parecido com seu modo de falar.
Bate-papo, pesquisa & companhia
- Converse com a turma sobre a curiosidade. Ela é necessária? Ou às vezes atrapalha? Dê exemplos das duas situações.
- Comente a diferença que há entre a chegada de uma mensagem entregue pelo carteiro e por fax (ansiedade, poesia, rapidez, custo, privacidade, enfim, os aspectos que forem citados pelos alunos).
- A exemplo do leãozinho de caixa de fósforos feito por Marisa, proponha aos alunos que criem outras coisas, utilizando o mesmo material. Depois, os trabalhos podem ser expostos e comentados.
- Uma amizade pode começar com a troca de presentes. Pergunte o que cada um daria se quisesse agradar um vizinho misterioso.
- O que criamos reflete um pouco do que somos. Para os alunos, que significados poderia ter o boneco de argila feito por Seu Genésio e enviado a Marisa?
- Converse com a turma sobre artistas famosos, em especial os pintores: pintores solitários e pintores que só foram valorizados depois que morreram.
Produção de texto
- A amizade é um tema que sempre desperta interesse. Sugira a criação de um texto sobre um episódio acontecido ou imaginado entre dois amigos.
- Peça aos alunos que escrevam, em papel apropriado (papel fino de bloco ou papéis de carta), uma carta a um colega ou parente, contando uma novidade bem intrigante. (Oriente-os a acumular dados, incluir ação inesperada e deixar a explicação para o final, de modo a criar suspense.)
- Pergunte aos alunos se eles conhecem o "correio-sem-mala". É um modo de apelidar os fofoqueiros, pessoas que passam informações sem gastar papel, correio, malote etc. Converse sobre a fofoca.
- Distribua à turma pedaços de papel (colorido ou branco) e peça que escrevam mensagens afetuosas aos colegas que quiserem. Depois eles dobram o papel, deixando ver o nome do destinatário. Escolha os alunos que serão os "carteiros".
- Fale aos alunos sobre outras formas de comunicação escrita: a carta, o bilhete, a correspondência em geral.
- Proponha um debate sobre a importância da amizade: o encontro e a descoberta do "outro"; formas mais comuns de se fazer amigos; o que acontece quando o amigo se muda (do bairro, da cidade). Você pode ler e comentar com os alunos os poemas "Casa do vizinho" e "Casa do amigo", ambos do livro Casas, de Roseana Murray (Formato). Lembre também diferenças entre as relações de vizinhança nas cidades pequenas e nas cidades grandes.
- Para examinar por outro ângulo a questão da amizade, sugira a leitura, seguida de comentários, do livro O amigo urso, de Mery Weiss e Canini (Formato).
O projeto gráfico
- Peça que observem o carteiro, ilustrado em preto e branco, a cada início de carta. Ele está sempre do mesmo jeito? Comente oralmente.
- Após a leitura do livro, pergunte sobre os sentidos da ilustração da página de rosto. O selinho com a inicial M lembra o lacre, mistura de substância resinosa com matéria corante, usada antigamente para fechar as cartas, e hoje usado para garantir a inviolabilidade de algum produto.