Sobre a Obra
História do galo de uma menina - Fanci -, moradora de uma rua de Copacabana, numa casa pequena com quintal, no meio da cidade do Rio de Janeiro.
É narrado o conflito entre o galo - que todas as manhãs cantava para saudar o Sol - e os moradores da vizinhança, que viviam nos altos edifícios próximos à casa de Fanci e que o tentavam calar atirando lixo, sapatos velhos, vidros vazios. Trata-se de uma história ecológica que mostra a cidade grande com seus carros, buzinas, fumaça, prédios, lixo... -expulsando- a natureza para longe de si.
Assunto/tema: um galo - símbolo da natureza - oprimido e reprimido pela cidade grande.
Temas secundários: vida na cidade grande x vida no campo; poluição sonora; poluição do ar; animais domésticos.
Sobre o Autor
SYLVIA ORTHOF
Descendente de austríacos, Sylvia Orthof nasceu no Rio de Janeiro, em 1932. Estudou teatro em Paris e, mais tarde, de volta ao Brasil, dedicou-se à área de dramaturgia infantil, escrevendo textos, dirigindo peças, pesquisando e dando aulas de teatro. Recebeu vários prêmios nesse segmento. Ao ser convidada por Ruth Rocha para escrever histórias infantis para a revista Recreio (Editora Abril), iniciou uma das carreiras mais fecundas da literatura infantil brasileira. Faleceu em 1997, deixando um acervo com mais de cem livros publicados, a maioria deles premiada, e ainda várias obras inéditas.
Material complementar
TROCANDO INDÉIAS COM OS LIVROS DA FORMATO
Galo, galo, não me calo
Sylvia Orthof / Ilustrações: Cláudio Martins
O livro
O livro, percebido em seus aspectos lírico, crítico e simbólico, apresenta-se cheio de significados. Do ponto de vista da linguagem, é extremamente inovador: o título, apresentando ritmo e rima, lembra a parlenda; o apelido da menina, retirado de "Infância", é muito sonoro; o arranjo das frases traz marcas da oralidade, como: "coisa pouquinha"; "Mas o galo de Fanci, junto com Fanci e o guarda-sol" (p. 3 e 11, respectivamente).
Finalmente, um galo cantando no quintal de sua dona, em plena Copacabana barulhenta e poluída é acusado pelos moradores de perturbar "a paz" do bairro não deixa de ser uma das grandes ironias do texto.
O texto
Questões de compreensão
Conversar sobre Infância, o nome da menina. O que pode significar? Professor: não é preciso usar a palavra "simbolizar", mas é importante levar as crianças a descobrirem a importância que os nomes têm nas histórias.
A menina mora numa das últimas casas encontráveis entre prédios e mais prédios, ou seja, num dos últimos redutos dos "velhos tempos". Como seriam esses velhos tempos? Será que ela gostava de morar lá? Por quê?
Um ar de tristeza domina o texto por alguns momentos. Onde ele pode ser sentido? (Pode ser em mais de uma situação.)
Quando o narrador da história retoma o tom de alegria? Pedir aos alunos para mostrarem essas frases no texto.
O que significa "felicidade" para os moradores de Copacabana? E para Fanci?
Questões de linguagem
Pedir aos alunos para descreverem a casa de Fanci e o seu quintal (oralmente ou por escrito). Chamar a atenção para a delicadeza proporcionada pelo uso apropriado do diminutivo: "... era coisa pouquinha" (p. 3).
À p. 13, todas as letras são maiúsculas. Por quê? Como deve ser lido esse texto?
Com o decreto dos moradores, o que aconteceu ao galo de Fanci? Você considerou justo esse decreto?
Em sua opinião, quem saiu perdendo com o desfecho da história?
A autora usa expressões poéticas que dão muita beleza ao texto, como: "A vontade saía do coração..." (p. 9); "... guarda-sol de praia, todo listrado de arco-íris..." (p.10). Pedir aos alunos para empregarem em frases essas expressões.
Bate-papo, pesquisa & companhia
O quintal de Fanci deve ser mesmo muito bonito. Pedir aos alunos para desenhá-lo numa folha tamanho ofício, usando todas as técnicas que quiserem: lápis de cor, guache, colagem, etc. O importante é pôr o mesmo carinho de Fanci no trabalho...
Pesquisa: pedir aos alunos para entrevistarem os pais sobre as questões abaixo ou, então, recorrerem ao dicionário:
O que é poluição sonora? Quais os seus níveis toleráveis?
O que é decibel?
O "galo de briga" e "galo músico" têm particularidades, isto é, são diferentes dos galos que conhecemos. Que particularidades são essas?
Você sabe o significado da expressão popular "cozinhar o galo"?
Veja, à p. 11, o caso da roseira de Fanci. O que aconteceu com ela? Você já ouviu uma marchinha de Carnaval (de autoria de Benedito Lacerda e Humberto Porto) chamada Jardineira? Pois nessa letra tem um trecho que diz assim: "Oh! jardineira, por que estás tão triste?/ Mas o que foi que te aconteceu?/ Foi a camélia que caiu do galho./ Deu dois suspiros e depois morreu..."
Em que momento do livro Galo, galo... você reconhece parte dessa letra?
Professor: trata-se de um entrecruzamento de textos, ou seja, um trecho já escrito entra no meio de outro que está sendo construído. Esse recurso, chamado intertextualidade, se bem usado, enriquece muito o texto. Chamar ou não a atenção para ele vai depender do amadurecimento da turma, e fica a critério do professor.
A autora resolveu criar uma palavra nova: nãodicos, e logo depois explicou ao leitor o que é. Brinque de formar palavras, assim:
Um "para casa"que é feito na aula vai se chamar: ___________________ .
Um guarda-sol que é usado para proteger um galo é um ______
Datas comemorativas