Sobre a Obra
Vô Joaquim e André, além de grandes amigos um do outro, são também amantes da bela montanha que rodeia a cidade e vêem com tristeza a chegada de técnicos que vão explorá-la para extrair o minério que a constitui. Os movimentos emocionais que pontuam o texto, de grande conteúdo poético - pressentimentos, medos, encantamento, desesperança -, se refletem na cor dos olhos do menino ao longo da narrativa.
Assunto/tema: a exploração destruidora de uma montanha - por extensão, do meio ambiente.
Temas secundários: a exploração destruidora do meio ambiente e seu efeito na vida das pessoas; alterações ambientais decorrentes da exploração descontrolada das reservas naturais; a relação das pessoas com o espaço físico (a paisagem) onde nasceram ou vivem; a relação avós-netos; o olhar (os olhos) como meio de expressão de sentimentos e emoções.
Sobre o Autor
RONALD CLAVER
Poeta, ficcionista e professor universitário, Ronald Claver nasceu em Belo Horizonte, em 1946. Na década de 1980, começou a escrever para crianças e jovens, tornando-se conhecido como escritor de qualidade. Hoje, conta com, aproximadamente, trinta livros publicados.
JÚNIA CAMPAS
Nasceu e viveu em Belo Horizonte, MG. É formada em letras pela UFMG, com pós-graduação em lingüística pela mesma faculdade. Foi professora de Literatura Francesa na PUC-MG e de português na UFMG.
Material complementar
TROCANDO IDÉIA COM OS LIVROS DA FORMATO
O livro
O texto conta a história do menino André e de seu amor pela montanha. Seu avô o acompanha e o escuta, muitas vezes com grande espanto. Permeando a narrativa, há uma dor, um descontentamento nas personagens, ao perceber que o fim da montanha está próximo. Em nome do progresso, a natureza, mais uma vez, levaria a pior.
Trata-se de um texto emocionado, em prosa poética, com diálogos ágeis e convincentes pela familiaridade com que os autores teceram a trama.
Temas transversais
Meio ambiente: observação do meio ambiente; a exploração do minério.
Ética: respeito; debate sobre o que é certo e o que é errado; justiça; solidariedade.
Meio ambiente/ pluralidade cultural: respeito aos idosos (a confiança e o amor ao avô).
O texto
Questões de interpretação
Pergunte aos alunos:
" Que idade tem o menino André? Por que você acha isso?
" O menino diz: "Eu vou levar a montanha, vô, ela vai comigo" (p.15). Como ele pretendia fazer isso?
" No início do texto, o narrador afirma que "O horizonte ainda era belo" (p. 7). Por quê? E no final, qual seria o futuro desse horizonte?
" Você já viu o mar? Como ele é? Se você não o conhece, imagine a resposta.
" O poeta Carlos Drummond de Andrade escreveu: "Eu não vi o mar./ Não sei se o mar é bonito,/ não sei se ele é bravo./ O mar não me importa./ Eu vi a lagoa./ A lagoa, sim./ A lagoa é grande/ e calma também" ("Lagoa", A senhora do mundo, Record, 1997). Compare esse trecho de Drummond com as idéias sobre o mar que o avô transmite ao neto, e com os sonhos e desejos do menino.
" Para André, a montanha tem sentimentos como as pessoas. Retire um exemplo do texto.
" No capítulo "O sonho" (p. 21-3), por que você acha que o avô não conseguia se mover nem falar?
" Releia as páginas 18 e 19 e explique a relação que há entre essas páginas e o capítulo "O sonho".
" No capítulo "O sonho", por que o menino sardento sugeriu o uso da gilete para desmanchar a montanha? Que utilidade teriam a borracha e a régua?
" O homem de macacão azul e capacete vermelho disse a André que, quando as montanhas acabassem, eles cavariam o mar. Você acha isso possível?
" A cor verde dos olhos do menino pode ter algum significado especial no texto? Explique.
Questões de linguagem
Aborde alguns aspectos que comprovam o trabalho com a linguagem que há no texto:
" As frases são, em geral, curtas, como um flash, como se o narrador fotografasse diversos instantes do texto. Dê um exemplo.
" A linguagem do avô e do menino é a que usamos no dia-a-dia. Um exemplo: "Precisa não, vô" (p. 9). Retire mais um exemplo do texto.
" Os diálogos costumam vir acrescidos de expressões que denotam o estado de espírito do falante. O que significam as expressões: "sem muita convicção" (p.12); "percebendo a indecisão do avô" (p.19); "tentou dissimular vô Joaquim" (p.19); "perguntou o pai, com energia" (p.27)?
" Na linguagem literária, o autor escolhe palavras, imagens bonitas para dar às expressões mais força e colorido. Comente, por escrito ou oralmente, as seguintes frases, apontando o que mais chamou sua atenção: "O desenho era colorido. Com as cores da tarde" (p. 8); "[A montanha] não sabe falar, não, vô. Ela só escuta" (p. 11); "Eles vão derrubar também o mar" (p. 36); "O tempo estava nublado e em seus olhos chovia" (p. 30).
" O texto faz comparações, como em: "ele é bravo como um leão". Retire mais um exemplo do texto. (Professor: se achar conveniente, explique que na metáfora a comparação é feita mentalmente, sem o uso de como, tal qual, etc. Exemplo: "ele é um leão".)
Bate-papo, pesquisa & companhia
Converse com a classe sobre a relação entre o avô e o neto. Ela é sempre boa? A diferença de idade ajuda ou dificulta o relacionamento? Peça que dêem exemplos de histórias que falam sobre essa relação: na literatura, no cinema, nas novelas... e na vida real.
Observando as assinaturas dos poetas Carlos Drummond de Andrade e Ronald Claver, debater a questão da identidade pessoal. Quais os documentos em que a assinatura é importante? Perguntar se os alunos têm em casa livros ou revistas que trazem assinaturas de pessoas famosas.
Oriente os alunos numa pesquisa sobre Curral del Rei, Serra do Curral, Aarão Reis e outros nomes ligados à história de Belo Horizonte, capital de Minas Gerais.
Se possível, assista com a turma ao vídeo Triste Horizonte, do Projeto Vídeo Escola (código 08.003.9(04), que retrata a Belo Horizonte descrita no poema de Carlos Drummond de Andrade, e que não existe mais, pois a pacata cidade transformou-se em agressiva metrópole. Compare a temática do vídeo com a "Canção urbana", de Ronald Claver (que está na segunda orelha do livro). Leia também a epígrafe de Drummond escolhida pelos autores e converse com os alunos sobre ela.
Aproveite a deixa e sugira uma pesquisa sobre Drummond, chamado de "nosso poeta maior". Se a turma quiser, pode fazer uma pequena antologia poética, reunindo os poemas que eles acharam mais bonitos. Essa antologia seria digitada e impressa para uso na classe. (A Fundação Carlos Drummond de Andrade, de Itabira, Minas Gerais, publicou uma antologia que foi distribuída nas escolas do município.)
Sugira a leitura, em forma de jogral, do poema "Curral del Rei" (primeira orelha), de Ronald Claver.
Converse com os alunos sobre a percepção e a imaginação infantis, manifestadas em repostas interessantes e "conversas" com objetos e animais. Fale também sobre o "menino" que vive dentro do adulto, e que este, de modo geral, tenta abafar. (Lembre a canção de Milton Nascimento e Fernando Brant, "Bola de meia, bola de gude", do disco Miltons (Gravadora CBS), que diz: "Há um menino/ há um moleque/ morando sempre no meu coração/ toda vez que o adulto balança/ ele vem pra me dar a mão". Pergunte: você acha que o vô Joaquim tem um moleque morando no seu coração? Por quê?
Produção de texto
Sugira aos alunos que façam uma descrição, que poderia começar assim:
"Uma brisa gostosa passava por ali. A tarde, apesar do sol, estava fresca" (p. 20).
Peça que a turma escreva uma história com uma destas personagens ou as duas: um menino do mar e um menino do rio.
Proponha que criem um poema descritivo, mostrando flashes da paisagem, ou falando sobre uma pintura ou um desenho, como no fragmento do compositor Toquinho, no poema "O caderno": "A casa, a montanha, duas nuvens no céu/ e um sol a sorrir no papel". (Se a turma quiser, pode retratar o desenho que o vô Joaquim fez para o neto. Um desenho colorido. Com as cores da tarde. Ou, quem sabe, com as cores da manhã...)
O projeto gráfico
Converse com a turma sobre o projeto gráfico (capa e miolo, chamando a atenção para os recursos usados na ilustração, como cores, recortes, traços, etc.).
Segundo o Dicionário de símbolos, de Chevalier & Gheerbrant, a cor vermelha alerta, convida à vigilância, inquieta. Como se pode ver, essa cor está muito presente no livro, em lugares estratégicos: retângulos do título, letras iniciais dos nomes dos autores (capa), letras iniciais dos capítulos, títulos dos capítulos, numeração das páginas. Pergunte aos alunos se eles acham que o dicionário está de acordo com a emoção que o texto deseja mostrar? Por quê? O uso do vermelho teria outro motivo? Qual?
Nas ilustrações do capítulo "A volta", há uma cor predominante, marcando um determinado horário na narrativa. Pergunte aos alunos: Que horário seria esse? E nas páginas seguintes, no capítulo "A notícia do rádio"?
Observe, junto com os alunos, a página 28. A notícia, dada em edição especial, está escrita com maiúsculas, e de forma inclinada. Converse com eles sobre a idéia que essa página transmite (por exemplo: letra maiúscula pressa, urgência, voz mais alta; texto inclinado texto inesperado incluído na programação normal).
Reparando no título do livro, percebemos letras maiúsculas e minúsculas. Belo, Horizonte e Menino aparecem com maiúscula. Por que será?
Datas comemorativas