Sobre a Obra
O livro é uma seleção de crônicas publicadas no suplemento Folhinha de S.Paulo. Parte do princípio de que aprender a ler o mundo criticamente é necessário não só aos adultos, mas também às crianças. É um direito delas discutir a realidade, participando e vivenciando a cidadania.
Assunto/tema: olhar de uma criança sobre a violência, a desigualdade social, o avanço da ciência e da tecnologia, a carência escolar, o meio ambiente etc.
Temas secundários: possibilidade de discussões e ampliação de leitura, propiciando o trabalho numa ótica globalizadora; problemas que dizem respeito à convivência entre grupos diferenciados; retrato do cotidiano das pessoas: sonhos, problemas ligados à escola, à família; qualidade de vida e equilíbrio ambiental; compreensão da saúde como direito e responsabilidade pessoal e social.
Sobre o Autor
FERNANDO BONASSI
Nascido em 1962, é cineasta, roteirista de vários filmes de longa e curta-metragem e de programas de TV, como Mundo da Lua e Castelo Rá-Tim-Bum, escritor de livros e peças de teatro, tanto para adultos quanto para crianças, tendo recebido vários prêmios por sua obra tanto literária quanto cinematográfica.
Material complementar
TROCANDO IDÉIAS COM OS LIVROS DA FORMATO
O livro
O livro se compõe de uma seleção de crônicas publicadas no suplemento Folhinha de S.Paulo. Ligada ao tempo, ou melhor, ligada ao seu tempo, a crônica , forma especial de narrativa , acaba por atravessá-lo por ser um registro poético e também crítico, na maioria das vezes. Enfim, a crônica retrata o cotidiano das pessoas, deixando ver as marcas de sua época.
Vida da gente é um livro que fala às crianças (e aos adultos também) porque fala dos seus sonhos, dos problemas ligados à escola, à família e sobretudo dos problemas que dizem respeito à convivência humana. Pelo viés do humor, do carinho e da reflexão, os textos tocam o coração do leitor ao mesmo tempo em que o convidam a buscar alternativas para que se viva melhor neste planeta.
Tema transversal
O livro abre espaços para muitas discussões e possibilita a ampliação das leituras, uma vez que propicia o trabalho numa ótica globalizadora. Pode-se afirmar que os temas transversais perpassam por todo o texto, principalmente os ligados à ética. Também podem ser discutidas em classe questões pertinentes à pluralidade cultural (convivência entre grupos diferenciados), ao meio ambiente (qualidade de vida e equilíbrio ambiental) e à saúde (compreensão da saúde como direito e responsabilidade pessoal e social).
O texto
Questões de interpretação e de linguagem
- As questões a seguir podem ser resolvidas oralmente ou por escrito. Pergunte à turma:
- Muitas pessoas pensam que a infância é apenas um período de brincadeira e de fantasia. Você considerou "pesados" os temas tratados nas crônicas do Vida da gente? Dê sua resposta tomando por base uma crônica que tenha chamado a sua atenção.
- O poeta gaúcho Mario Quintana escreveu no seu livro Caderno H (Globo, 1995): "Há duas espécies de livros: uns que os leitores esgotam, outros que esgotam os leitores". Que comparações você pode estabelecer entre a frase de Quintana e a crônica "Livro é que nem gente" (p.8)?
- A crônica "Quando os políticos são legais" (p.14) fala sobre uma lei que proíbe o porte de armas e a fabricação e a compra de armas de brinquedo. Se você fosse deputado, que leis você submeteria a aprovação? Crie três e escreva-as no seu caderno, em ordem de importância. Lembre-se do que o texto disse: "a gente já inventou uma coisa muito melhor que as armas: as palavras".
- Ao escrever uma crônica, o autor procura retratar o tempo de uma maneira poética, mas comprometida com a visão crítica dos fatos. Depois de ler a crônica "Um jogo que é uma vergonha" (p.16), em quais jogos poderíamos pensar? Além do jogo da vida entre crianças ricas e pobres, o que mais a crônica nos permite ver? Você conhece um repórter da tevê que usa muito a frase " É uma vergonha!"? Pergunte em casa e experimente comparar o jeito de noticiar de vários repórteres da tevê.
- Na crônica seguinte, "O Brasil é um país triste e bobão", o autor focaliza o problema do trabalho infantil. Pelo que a televisão reporta, o que o governo tem feito para motivar os pais a tirar as crianças do trabalho e mandá-las para a
escola?
- O narrador da crônica "Nem tudo que se joga fora é lixo" (p.21) propõe que criemos a menor quantidade de lixo possível. De que modo isso pode ser feito? Faça uma lista dos procedimentos que devemos adotar, colocando uma frase em cada linha.
- Após a leitura da crônica "Quando 1 é 2!" (p.23), responda: que sentimentos dominam o narrador, ao falar da separação dos pais? Escolha alguns entre os enumerados aqui: tristeza, indiferença, melancolia, decepção, aceitação, desespero, compreensão, otimismo. Se quiser, cite outros. Justifique a sua resposta. Por que a crônica tem o título "Quando 1 é 2!"?
(Professor: recomende a leitura dos livros: O dia de ver meu pai, de Vivina de Assis Viana, e Muito prazer, pai, de Márcia Leite, ambos da Formato. Relacione esses dois textos com a crônica "Quando 1 é 2!", tornando a atividade mais enriquecedora.)
- Compare os assuntos das crônicas das páginas 26 e 27. Ambas falam da relação entre pais e filhos, com tapas e broncas... Que semelhanças e diferenças você pôde perceber?
" Na quarta capa do livro, a escritora Heloisa Prieto diz que no livro Vida da gente há uma porção de assuntos, e que eles pertencem a diversas áreas, como filosofia, sociologia, literatura, ecologia, ciência.
Converse com o professor para se informar melhor sobre essas áreas e mostre uma crônica ligada a cada área.
" O autor construiu seus textos usando a voz da criança. O que você achou da linguagem empregada por ele?
Fale sobre o jeito de falar do narrador: seu vocabulário, suas emoções, suas reflexões, seus desejos, etc.
Bate-papo, pesquisa & companhia
Proponha à turma um momento da verdade , no qual os alunos irão apontar, como fez o narrador de Vida da gente, diversos problemas que constituem as feridas da nossa sociedade, ou salientar aspectos que emocionam o ser humano.
Peça aos alunos que enumerem as crônicas no sumário de 1 a 25. Cada aluno se ocupará da crônica que tem o seu número de chamada (salas muito numerosas podem fazer o trabalho em dupla), escrevendo numa ficha a frase que mais o incomodou ou a que mais o emocionou. Em seguida, cada aluno ou dupla se levantará para ler a sua frase, jogando-a na lixeira da sala (para simbolizar o seu desagrado), ou guardando-a (para simbolizar a sua emoção) em ambos os casos, depois de explicar para a turma o seu sentimento.
Peça aos alunos que selecionem as crônicas que falam sobre o tema escola (aluno, professor, etc.), com suas alegrias e problemas. Proponha uma mesa-redonda sobre o assunto.
Ouça com os alunos a gravação da música Asa-branca, de Luís Gonzaga e Humberto Teixeira, gravada por inúmeros artistas da música popular. Se possível, dê uma cópia a cada aluno e peça a eles que a comentem tendo como ponto de partida a crônica Quem está pior merece o melhor (p.15). Se quiser, faça com a turma um poema coletivo com duas ou mais estrofes, escritas no quadro, transformando a crônica num texto em verso, que será cantado com a melodia de Asa-branca.
A primeira estrofe poderia ser: O Marcelo tá preocupado / com a água aqui na Terra. / Ele até andou pensando / que pode haver uma guerra .
Chame a atenção da turma para um aspecto importante tratado na crônica Um bicho bem porcalhão (p.30). A poluição das águas é algo muito sério. Proponha à turma a formação de grupos de pesquisa sobre os assuntos:
" Como economizar água, evitando vazamentos e desperdícios; Como salvar nossos rios; Brasileiro joga tudo na água!;
" A contaminação da água por falta de cuidado doméstico, industrial, agrícola e
mineral.
" Marque a data para os seminários.
Fernando Bonassi, em seu livro Uma carta para Deus (Formato), conta o episódio da inundação de um córrego perto da favela (p.18, 19, 20). Se possível, leia esse trecho para os alunos, pedindo-lhes que observem os pontos em comum com a crônica do Vida da gente: Quando chove é fogo, viu! .
A crônica Ser índio é muito mais legal! (p.18) pode ser comentada a partir da leitura de outros textos com assuntos parecidos, como por exemplo o trecho extraído do livro Pindorama, terra das palmeiras, de Marilda Castanha (Formato): Em Pindorama todo mundo ajudava, todo mundo aprendia. As mulheres plantavam, colhiam, preparavam os alimentos, cuidavam dos filhos. Os homens cuidavam da caça e da pesca, e também confeccionavam com habilidade e arte tudo de que precisavam, como machados de pedra, arcos, tacapes, canoas e armadilhas para caçar e pescar (p.6).
Hora da poesia: leia para a turma o poema Meninas e meninos , escrita por Fernando Sylvan, do Timor: Todos já vimos / nos livros, nos jornais, no cinema e na televisão / retratos de meninas e meninos, / a defender a liberdade de armas na mão. / Todos já vimos, nos livros, nos jornais, no cinema e na televisão / retratos de cadáveres de meninos e meninas / que morreram a defender a liberdade de armas na mão. / Todos já vimos! E então? . (Do livro Primeiro livro de poesia: poemas em língua portuguesa para a infância e a adolescência. Seleção de Sophia de Mello Breyner Andresen. Lisboa, Caminho, 1999.) Converse com os alunos, informando-os sobre a situação do Timor nos últimos tempos. Peça a eles que comentem o poema, observando bem a questão da busca da liberdade, da felicidade e de melhores condições de vida, e que comparem aspectos do poema com as aspirações do narrador do Vida da gente em algumas crônicas.
Ao conversar com a turma sobre a possibilidade de mudança de nome de certas partes do corpo, tratada na crônica As palavras e as coisas (p.22), brinque com os alunos, pedindo-lhes que traduzam um bilhete (imaginário) que o Dr. Saratudo escreveu para um paciente: Prezado Pedro Pedrosa: creio não ser a dispepsia a razão de sua forte cefaléia. Tudo leva a crer que a raiz do problema está mesmo na sua hiperidrose plantar. Procure se calçar de todos os cuidados .
Produção de texto
A partir da leitura e comentário da crônica Medo é o maior barato! (p.24), sugira aos alunos a criação de uma história de suspense, daquelas que dão o maior medo! Se eles quiserem, poderão optar por um texto de terror ou mistério, ou um texto com desfecho cômico, onde tudo não tenha passado de um engano.
O título da crônica A gente não quer só comida (p.25) lembra prontamente uma frase da letra da música Comida, de Arnaldo Antunes, Marcelo Fromer e Sérgio Brito. Fernando Bonassi com certeza utilizou-a intencionalmente, o que causou um ótimo efeito. Proponha aos alunos modificarem a estrofe de Comida, recortando expressões da crônica de Bonassi. A estrofe é a seguinte: A gente não quer só comida / A gente quer comida, diversão e arte. / A gente não quer só comida. / A gente quer saída para alguma parte. / A gente não quer só comida / A gente quer bebida, diversão, balé. / A gente não quer só comida / A gente quer a vida como a vida quer . / Apresente a estrofe de Comida com um verso debaixo do outro. As barras indicam mudança de linha.
A crônica que encerra o livro se apresenta em forma de uma carta escrita por uma criança no ano de 2066 à avó que viveu em 1996 ou 1997. Proponha à turma algo inverso: uma bisavó nascida numa cidade histórica do Brasil, em 1915, escreve ao bisneto que faz 5 anos no ano 2000. Ela pode começar assim: Tiradentes, Largo das Forras, 50. Em 21/04/99. Querido Xande: ...
O projeto gráfico
Proponha as seguintes atividades à turma:
" Na apresentação do livro, lemos que as ilustrações também contam histórias. Que história você contaria olhando a ilustração da primeira página? Ela mostra apenas um quadro pendurado...
" Escolha uma ilustração do livro e comente os aspectos que chamaram a sua atenção. Fale também sobre as letras ilustradas que compõem os títulos.
Na página 28, um conto clássico infantil foi retomado na ilustração por meio de um detalhe no rosto das personagens. Você saberia dizer qual é o conto e por que foi usado na crônica?
" No Dicionário de símbolos, de Jean Chevalier e Alain Gheerbrant (Ed. José Olympio, 1992), lemos que o coração é o centro vital do ser humano, uma vez que é responsável pela circulação do sangue. O coração é visto também como a sede dos sentimentos e também como o lugar da inteligência e da intuição. Partindo dessas opiniões, comente a ilustração da crônica O Ricardo continua por aí! (p.29).
Comente também os ornamentos que o ilustrador usou no título da crônica. Analise todos os detalhes.
" Você achou que as ilustrações combinaram com os textos, de uma maneira geral? Por quê? Como foi feita a numeração das páginas? Na sua opinião, por que ela foi feita assim?
Datas comemorativas
- DIA DA DEMOCRACIA (25 DE OUTUBRO)
- DIA NACIONAL DO LIVRO (29 DE OUTUBRO)