Sobre a Obra
A princesa Leonor, ao contrário de todas as princesas, não teve fada madrinha nem todas as bênçãos, era feiosa, mas sabia muito bem o que queria e o que não queria da vida: desembaraçada, não muito bem-comportada, mas boa, alegre, divertida. E quando se apaixonou " por um aprendiz de pedreiro! ", Leonor logo deu um jeito de correr atrás da felicidade...
Assunto/tema: uma história de princesa meio às avessas.
Temas secundários: as histórias clássicas de princesas: o encantamento das fadas, o final feliz e "para sempre" comparadas com histórias realistas da atualidade: principais diferenças e eventuais semelhanças; o perfil da mulher em ambos os tipos de história; os finais felizes das histórias e os desfechos de histórias reais; tipos de histórias preferidos pelos alunos: há muita diferença entre as preferências de meninos e meninas? Quais as principais? Quais seriam as causas dessas diferenças?
Sobre o Autor
IVANA VERSIANI
Doutora em letras pela UFMG, foi professora de Língua Portuguesa em alguns colégios de Belo Horizonte e na Faculdade de Letras da UFMG. Também lecionou nas Universidades de Wisconsin (EUA) e de Toronto (Canadá), tendo passado oito anos no exterior.
Material complementar
TROCANDO IDÉIAS COM OS LIVROS DA FORMATO
ROMANCE DA PRINCESA ENAMORADA
O livro
O livro conta a história da princesa Leonor que, ao contrário de outras princesas, não recebeu os famosos dons da fada madrinha: não era bonita (nem horrorosa), mas sabia muito bem o que queria da vida.
O texto, em forma de versos rimados, retoma o encantamento dos contos de fadas, inovando na construção da narrativa, ou seja, apresentando uma princesa que foge do seu castelo para ir, ela mesma, pedir a mão a um simples pedreiro por quem se apaixonou.
Tema transversal
- Ética/respeito mútuo: a compreensão das diferenças entre as pessoas, sejam elas decorrentes de cultura, valores ou opiniões .
- Ética/diálogo: o valor da expressão clara e precisa de idéias, opiniões e argumentos, de forma a ser corretamente compreendido pelas outras pessoas.
O texto
Questões de interpretação e de linguagem
- Os alunos podem responder em grupo ou individualmente, contando com a mediação do professor:
- Você sabe o que são mirantes? Empregue a palavra numa frase, como se lê no texto da p. 5.
- Para que as fadas eram chamadas? O que você achou da conversa das fadas no início do cap. II: apenas um discurso rebelde ou uma fala pontuada pelo senso de justiça? Justifique a sua resposta.
- Na descrição da princesa, ficamos sabendo que ela não era bonita , era mais para feiosa, e que "saiu ao rei" (p. 10).O que significa a expressão entre aspas?
- O livro tem 16 minicapítulos. Se você tivesse de dividir o texto em quatro partes, como faria? Que título daria a cada uma delas? Lembre-se: os títulos resumem as partes.
- Agora observe: conhecendo os traços da princesa, o seu jeito de ser, imagine o seu comportamento nas seguintes situações: hora de estudar; maneira de se portar à mesa; hora do lazer e hora de dormir. Crie algumas frases (oralmente ou por escrito) que poderiam ser atribuídas a ela nas referidas situações.
- Compare o dia-a-dia da princesa Leonor com o das outras moças do reino: a filha do moleiro, do pescador e do lenhador. Em que aspectos a vida da princesa seria mais ou menos agradável do que a vida das outras moças?
- A princesa comparou os montes de roupa usada a um leito de arminho. Por quê?
- Repare bem que, ao buscar o seu caminho, Leonor pode encontrar flor e fogo, um gemido e uma canção, dor e mel, espinho ou a rosa (p. 17). Note que são elementos contrários, opostos, chamados elementos antitéticos .Explique como você vê a busca de Leonor e responda se já vivenciou alguma situação que o(a) fizesse deparar-se com um conflito semelhante. Conte como foi.
- Você considera corajosa, ousada para a época, irresponsável, criativa ou maluca a atitude da princesa Leonor ao fugir do castelo atrás do seu amado?
- Quais os sentimentos que se apoderaram de Leonor ao constatar a ausência de Miguel no povoado? O que ela pensou a princípio? E depois?
- Por que Miguel pensou que a princesa tinha vindo de alguma aldeia vizinha?
- Leonor diz ao rei que quer casar-se com Miguel. Quais os argumentos que a princesa usou para convencer o pai sobre a sua escolha?
- Comente agora a atitude da princesa em relação à fada madrinha que lhe negou os dons ao nascer.
- Na p 24, lemos que Leonor herdara do pai a sua "cuca legal". Imagine e enumere algumas atitudes que demonstram ser o rei um governante de cuca legal. Pense como se estivesse vivendo naquela época...ou faça adaptações (ou críticas) segundo o seu modo de ver o governo de seu país hoje.
- Releia a biografia da autora (p. 31) e responda se achou apropriado o título do livro. Se quiser, proponha outro.
Bate-papo, pesquisa & companhia
- Inicie um debate sobre a condição da mulher "naquele tempo de antanho" (p. 24): a posição da mulher; profissões femininas aceitáveis na época, os casamentos arranjados; a submissão filial e conjugal. Se a turma manifestar interesse, abra espaço para comparações envolvendo enredos de novelas de época veiculadas pela tevê.
- Discuta também, a importância dos elementos simbólicos presentes na narrativa, como ,por exemplo a figura do aprendiz de pedreiro, profissional da construção, tornado D. Miguel, o Rei Pedreiro - que acena para a possibilidade da construção de novos projetos e novas formas de viver uma existência feliz.
- Oriente a leitura do poema: a pontuação serve para dar mais clareza ao texto e indicar as modulações da linguagem oral. Quando não houver pontuação no final do verso, leia-o encadeado ao verso seguinte (recurso chamado de encadeamento); quando houver vírgula, dê uma pausa pequena e quando houver ponto final, uma pausa maior. Para treinar, leia as estrofes da p. 18 e veja como o texto ficou claro, belo e significativo
- A princesa Leonor bocejava de impaciência ao ouvir os trovadores cantando seus fingidos amores. Peça à turma que pesquise sobre os trovadores, o tipo de cantiga que cantavam. Fale para a turma sobre o fragmento da Cantiga de Amor citado na p. 12. Seu autor é Pai Soares de Taveirós, do Cancioneiro da Ajuda, Portugal, do período anteclássico, que vai do século XII ao XV.
- Chame a atenção dos seus alunos para a maneira com que o Romance da princesa enamorada foi apresentado. Lembra bastante a literatura de cordel, muito comum nas feiras nordestinas, tendo o nome cordel nascido do próprio modo como é apresentado, ou seja, em varais de cordão. O cordel tem sua origem ligada aos trovadores e menestréis da Idade Média. Proponha que os alunos experimentem, então, cantar à moda dos cantadores de cordel e/ou repentistas algumas partes do livro ou retirem dos dezesseis capítulos algumas estrofes formando começo, meio e fim.
- Oriente os alunos numa minipesquisa sobre Camões, poeta português do século XVI, relembrado num recorte descrito na p. 15, segundo nota da autora. Observe também que o referido soneto foi musicalizado e gravado pela banda Legião Urbana.
- Hora da música: releia com a turma as estrofes da p.15. Em seguida, apresente a gravação de O xote da meninas, de Zé Dantas e Luiz Gonzaga, gravada por vários intérpretes da nossa MPB, focalizando o trecho: "Mas o doutor nem examina/chamando o pai de lado lhe diz ligo em surdina/que o mal é da idade e que pra tal menina/não há um só remédio em toda a medicina./Ela só quer, só pensa em namorar." Peça aos alunos que apontem possíveis comparações entre os textos.
- Hora do conto: leia para a turma ou indique a leitura do livro João, pobre João ou De como o pastor João tornou-se guerreiro (Formato), de Luis Díaz, ilustrador do Romance da princesa enamorada. Discuta com a turma: João tem um firme propósito e a princesa Leonor também. Como se dão os desfechos das histórias? Como você mudaria o final de João, pobre João, para que pudéssemos atribuir a ele o mesmo final do Romance da princesa enamorada, isto é: "e tudo acabou feliz,/ como a gente sempre quis" (p. 29)?
- Hora do vídeo: assista com os alunos ao filme de animação Cinderela Pingüim (código 07.006.8(05) do projeto Vídeo Escola. Trata-se de uma recriação de Cinderela, tendo pingüins como protagonistas. Um estilo medieval de ilustração e sonoridade é usado para contar a história.
Produção de texto
- Partindo de comentários acerca da atitude da princesa Leonor, proponha a produção de um texto, que pode configurar-se como paródia, em que a personagem foge dos padrões estabelecidos e constrói seu próprio destino. Incentive a turma a escolher um título para o seu texto que dê idéia de ruptura ou emancipação, como, por exemplo: Cinderela que me perdoe...; Com licença, eu vou à luta (título já usado pela escritora Eliane Maciel); Bela Adormecida ou Bela Acordada?; O gênio que fugiu da garrafa; Os Três Porquinhos da Construção Progresso.
- Imagine um texto poético em que uma princesa tenha muitos pretendentes, mas faz a escolha ouvindo o seu coração. Aproveite os versos iniciais do poema Namorinho de portão: "Rei, / capitão, / soldado, / menino,/ ladrão,/ e a menina bonita/ namora os cinco/ do portão". Do livro Namorinho de portão, de Elias José, Moderna. A turma constrói os versos seguintes, podendo terminá-los como fez Elias José: "Eu sei, senhor capitão, /não foi pro rei/ que ela jogou um beijão./ Foi pro menino/ que é rei/ pra menina do portão".
- Peça à turma que crie uma história em que o rei é autoritário e malquisto e que tenha uma filha muito determinada, uma vez que herdou das fadas os seguintes dons: firmeza, justiça, respeito e bondade.
O projeto gráfico
- O texto usa imagens e ornamentos gráficos que lembram as ilustrações de antigos contos de fada. O número dos capítulos em algarismos romanos rodeados por flores também sinalizam uma época passada. Mostre esses aspectos, conversando com a turma a respeito deles e estabelecendo comparações com ilustrações mais "modernas".
- Reveja as ilustrações e peça comentários sobre os trajes da época. Sugira que os alunos tragam de casa a gravura de uma pessoa de corpo inteiro e que a "vistam" usando desenhos e colagens, de acordo com o figurino da época em que se passa a história da princesa Leonor. Depois, podem montar um painel com as personagens medievais, sejam nobres ou camponesas, e dar um título ao painel.
- Analise com os alunos a presença dos anjinhos na ilustração da p. 20 e pergunte o que eles acharam da escolha dos anjos e não de fadas ou amas para enfeitar a princesa. Eles seriam anjos (mensageiros divinos) ou anjos (cupidos)?
- Observe as ilustrações da p.22. Ela apresenta cenas em seqüência retratadas nos três corações. Peça a interpretação das mesmas, em forma de sugestão para balões de fala ou pensamento.
- Peça que a turma confronte a ilustração da capa com a ilustração da p. 23 e pergunte se são realmente iguais, e por que os significados atribuídos à capa podem ser diferentes daqueles atribuídos à ilustração da p. 23.
- O clima dramático das personagens ou da cena representada se deve, em grande parte, à cor predominante dos objetos ou cenários. Peça aos alunos que falem sobre a influência da cor na ilustração da p.4 (cinza) e da p. 25 (verde): se dão idéia de tristeza, alegria, vivacidade, tempo bom ou ruim, ambiente festivo ou silencioso, etc.
Datas comemorativas