Sobre a Obra
Em Crendices e superstições, terceiro livro da coleção O folclore do Mestre André, Mestre André conta a história de João Boa-Sorte, um brasileiro de Juazeiro do Norte, no sertão do Ceará. Com um enredo propositalmente tênue, a narrativa se constitui, na verdade, de uma série de episódios vividos por João, sua família e seus amigos, episódios que ilustram muitas das inúmeras crendices e superstições que fazem parte da vida dos cearenses e de outros brasileiros.
Temas secundários: crendices e superstições mais conhecidas dos alunos; outras manifestações do folclore brasileiro, como ditados populares, provérbios, rezas, benzeções, simpatias; personagens folclóricas típicas das diversas regiões do Brasil.
Sobre o Autor
MARCELO XAVIER
Nasceu em Ipanema, MG. É formado em Publicidade pela PUC-MG e artista plástico autodidata. Desde 1986 desenvolve um trabalho com ilustração tridimensional: personagens e objetos de cena são moldados em massa plástica, montados em pequenos cenários e fotografados. A aproximação com o público infantil acabou promovendo um intenso envolvimento do autor com a Arte-Educação, o que acontece sobretudo nas oficinas de modelagem para crianças e professores realizadas em vários estados do país. Seus vários livros publicados receberam muitos prêmios.
Material complementar
TROCANDO IDÉIAS COM OS LIVROS DA FORMATO
Coleção O folclore do Mestre André
O livro
A coleção reúne a ilustração tridimensional e o texto informativo, abordando diversas manifestações do folclore brasileiro. Este livro focaliza, em particular, algumas crendices e superstições que formam uma grande corrente que passa pelo Brasil todo - pelas florestas, pelas praias, pelos campos e pelas cidades. Por isso, sempre haverá alguém acreditando no inacreditável, em palavras mágicas, em amuletos e simpatias.
Tema transversal
- Pluralidade cultural: formação cultural do Brasil; valorização da herança cultural; reflexão sobre a riqueza da tradição oral nordestina que se amalgama com as manifestações folclóricas de todo o país.
O texto
Questões de interpretação e de linguagem
Converse com os alunos sobre a apresentação do livro feita pelo autor e depois pergunte:
- Que festa chamou a atenção do autor, quando ele passava as férias de janeiro na fazenda dos avós?
- Por que ele afirma que passou anos com medo do folclore? Já aconteceu algo parecido com você?
- A palavra sabor lembra paladar, o gosto das coisas. Quando o autor pergunta se o leitor conhece bem o sabor da palavra férias (p .6), o que ele pode entender? Explique do seu modo.
O texto em si é apresentado na voz de Mestre André. Pergunte à turma:
- Por que, na casa do Mestre André, cada assunto é contado num lugar diferente?
- O que são crendices e superstições? Antes de ler o livro você conhecia alguma crendice? Qual?
Agora responda às questões referentes à história de João Boa-Sorte:
- O nome do pai de João é bastante comum no Nordeste. Você sabe a causa da popularidade do nome Cícero? Pense e/ou pesquise e responda oralmente.
- O narrador diz que nome é coisa séria (p. 12). João Boa-Sorte teve nove irmãos: cinco homens e quatro mulheres. Imagine um nome para cada um deles, lembrando que são de Juazeiro do Norte, no sertão do Ceará.
- Muitas expressões usadas no Norte/Nordeste costumam ser pouco conhecidas no Sul ou Sudeste e vice-versa. Nas frases seguintes, substitua as expressões destacadas por outras mais comuns na região onde você mora: "O fogo é sagrado. Esquenta a casa no inverno, e ajuda no preparo do 'de-comer'". (p.18); "Minha menina tá 'amorrinhada'" (p.23); "(...) uns cinco pintinhos, 'parrudos', amanheceram mortinhos." (p.25).
- Você sabe o que é olho de seca-pimenteira (p. 25)? Você acredita que fazer secar um pé de pimenta seja uma tarefa difícil? Por quê?
- Chama-se pleonasmo o emprego de palavras redundantes, usadas com o fim de reforçar determinada expressão, como se pode ver em: "Entra pra dentro, João!" (p. 18). Note que entrar já significa "passar para dentro". Tente listar outros pleonasmos, observando a linguagem das pessoas no dia-a-dia, e enriqueça a sua lista com os exemplos citados por seus colegas. Se achar necessário, pesquise sobre o assunto no item "Figuras de linguagem", geralmente nos capítulos finais das gramáticas.
- Agora releia o primeiro parágrafo da p. 29. Ele diz, poeticamente, que depois de uma febre de três dias, Benedito, o amigo de João, foi morar nas estrelas. Que significado(s) você daria à expressão destacada? "Morar nas estrelas" é um eufemismo, outra figura de linguagem, que consiste em suavizar uma expressão mais pesada por meio de sua substituição por outra mais leve ou mais polida. Converse com o seu professor e seus colegas e crie oralmente algumas expressões em que se note o eufemismo.
- Dentre tantas crendices citadas no livro, fale sobre uma que dá sorte e uma que dá azar. Se souber outras que não estão no texto, conte para seus colegas.
- Quase no final do livro, ficamos sabendo que Zeferino, amigo de João, amanheceu apaixonado pela moça que varria os quartos (p. 35). Você acha possível alguém "amanhecer apaixonado" ou isso é apenas um modo de falar? Dê o seu ponto de vista.
- Antes de iniciar a história de João Boa-Sorte, Mestre André disse que o homem primitivo, ao se sentir ameaçado pelas tempestades, doenças, etc, passou a acreditar em certas rezas, alimentos... (p.11) No final, Mestre André afirma que viver é uma questão de sorte (p.37). Então, vamos por partes:
a) você acha que as superstições aliviam os medos?;
b) viver seria mesmo uma questão de sorte?;
c) as crendices ajudaram João a viver melhor, apesar de ter nascido numa sexta-feira,13 de agosto, à meia-noite?;
d) em sua opinião, ervas, pós misteriosos, incensos ajudam a curar as pessoas? Por quê?
Bate-papo, pesquisa & companhia
" Organize uma roda de conversa sobre o tema ser supersticioso . Levante questões como: problemas no dia-a-dia do supersticioso, o que é ser um supersticioso exagerado, as superstições de certos artistas, como Roberto Carlos, que não usa a cor marrom...
" Divida a turma em seis grupos, pedindo a cada um que apresente o que aprendeu sobre as crendices relacionadas aos seguintes temas: sexta-feira, cuidados com o bebê, rastro, morte, comer fruta, arco-íris, chuva, enterro, figa, casamento, mulher grávida e dinheiro. Cada grupo pode abordar duas ou mais crendices. Para as apresentações, sugira: jornal falado, programa de rádio, literatura de cordel, teatro de fantoches, propaganda de TV, música em estilo rap, artigo de jornal, horóscopo, pregão de camelô e outros que a turma escolher.
" Converse com a turma sobre o que são atividades rotineiras e promova um debate a partir da idéia seguinte: tem quem ache que a rotina deve ser evitada para que a vida não caia na mesmice e que fazer algo diferente do costumeiro é ótimo para a saúde mental. No entanto, o autor considera as férias de janeiro maravilhosas, com os dias sempre deliciosamente iguais (ver p.6). Discuta com a turma as duas posições, enfatizando a importância da boa argumentação.
" Oriente os alunos numa pesquisa sobre São Cosme e São Damião e sua festa, celebrada em 27 de setembro, investigando o costume de comer bolo, doces e balas, como foi relatado no livro, na p. 26.
" Organize um jogo de memória e rapidez entre dois grandes grupos de alunos e alunas, pedindo que falem sobre superstições ligadas ao sexo masculino (alunos) e ligadas ao sexo feminino (alunas). O grupo que citar o maior número de superstições ganha o jogo. Antes da apresentação, lembre-se de estipular o tempo para cada representante falar e outras regras que julgar necessárias, mostrando ainda que muitas crendices se aplicam tanto aos homens quanto às mulheres.
" Hora da poesia: retomando o episódio do canivete perdido (p. 26), apresente à turma a Oração de São Longuinho , do livro Cantos de encantamento, de Elias José (Formato): São Longuinho,/ meu santinho,/ vou precisar/de sua ajuda/ pra ver se muda/ a minha vida./ Vou rezar/ e vou rezar de novo/ pro São Longuinho,/ meu santinho./ E se eu achar,/ São Longuinho,/ o amor que perdi/ por aí,/ dou três gritos,/ dou três assobios,/ dou três pulinhos/ em seu louvor,/ meu santinho! Peça comentários sobre os sentidos do poema, relacione-os ao caso do canivete e proponha uma leitura final do poema. Não se esqueça de lembrar que a vírgula requer uma pausa na leitura. O verso sem vírgula, deverá ser encadeado ao da linha seguinte, sem pausa ou com uma pausa quase imperceptível. Isso é o que se chama encadeamento.
" Outra sugestão: proponha a brincadeira de achar a rima que completa o sentido do verso e que é baseada numa crendice. Repare:
a) Choveu o dia inteirinho/ no casório da Gabriela./ Todo mundo já sabia/ que ela comeu.........
b) Rodo a casca da laranja./ Olhe bem que você vê. / O nome do meu noivinho/ começa com a letra.........
c) Já falei mais de mil vezes,/ você é surdo como a parede./ Se teima em brincar com fogo,/ vai logo...........
d) Vou buscar um copo d água./ Não tenho preguiça ou medo./ Pois se eu tomar o seu restinho,/ eu descubro........
Ensine a turma a perceber o ritmo dos versos, tamborilando as sílabas na carteira ou batendo palmas, para que completem o verso no mesmo ritmo. E se os alunos quiserem, deixe que cantem as quadrinhas usando melodias de canções conhecidas, como Terezinha de Jesus, Ciranda, cirandinha, O cravo brigou com a rosa, Asa branca, Assum preto etc.
" Relacionando textos: faça um levantamento com a bibliotecária para ver se há outros livros sobre crendices que os alunos possam conhecer. Uma dica: O livro das simpatias, de Antônio Barreto (RHJ). São simpatias-poéticas cheias de fantasia: simpatia para chegar ao Japão, para o irmãozinho parar de chorar, para recomeçar um namoro, para ser feliz...
" Hora da música: para lembrar o clima da Folia de Reis descrita no início do livro, ouça (e cante junto) com os alunos a gravação de Calix Bento , adaptada por Tavinho Moura, melodia muito executada em Folias do interior de Minas e de São Paulo. Há várias gravações, como a de Ivan Lins e as de algumas duplas sertanejas.
Produção de texto
" Converse com a turma sobre a questão da importância dos nomes: nome é coisa séria, cheia de força invisível (p.12). Sugira a criação de um pequeno texto, batizando as personagens com nomes de heróis gregos, heróis de histórias em quadrinhos, personagens marcantes de livros clássicos, de novelas da TV...
" A história lida foi tecida com uma linguagem muito especial e agradável, fácil de ser entendida. As comparações foram um tanto responsáveis por isso, como no exemplo: O ônibus não demorou a aparecer na estrada feito um boi bravo, desembestado, bufando e deixando um rolo grosso de poeira para trás. (p. 31). Proponha a produção de um texto sobre uma crendice, usando comparações. Lembre aos alunos que o termo mais comum nas comparações é o como, mas existem outros: tal, qual, e o popular que nem.
" Sugira a criação de um reconto da história de João Boa-Sorte em forma de cordel. Pode ser um texto coletivo ou em duplas. Inicialmente, explique que cordel é um cancioneiro popular nordestino impresso em folhetos expostos à venda em feiras e mercados e dependurados em cordel. Para dar uma alavancada no texto, proponha começá-lo assim: Foi há muito, muito tempo,/ em Juazeiro do Norte/ que nasceu um bom menino/ chamado João Boa-Sorte./ Por nascer na sexta, treze,/ fizeram uma benzeção/com promessa e simpatia/ pra não ter azaração. Depois de pronto, os alunos podem digitá-lo, imprimi-lo em várias cópias, imitando os livrinhos de cordel, dependurá-los e declamar o poema na escola. Pra comemorar o feito, doces, biscoitos e refresco... de capilé.
" Proponha a criação de um pequeno texto imitando uma simpatia. Instrua os alunos em relação à combinação dos ingredientes, como plantas, pós misteriosos, bem como os cuidados especiais na escolha da fase da Lua , do santo protetor da simpatia, enfim, todo o ritual. Os pedidos podem ser os mais... estranhos: simpatia para não cair da bicicleta, para saber as respostas da prova de Matemática, para ver um disco voador, para arrepiar o cabelo da namorada do pai, para ficar invisível ao passar perto do diretor da escola etc.
O projeto gráfico
A ilustração tridimensional tem um efeito surpreendente. Converse com os alunos sobre a beleza das figuras feitas com massinha de modelar, observando que as ilustrações do livro Crendices e superstições não seguem o mesmo esquema empregado nos dois primeiros livros da coleção Mitos e Festas , que têm ilustrações de página inteira. Pergunte o que acharam das pequenas ilustrações dispostas ao longo do texto.
Observando com os alunos a ilustração que vai no meio do livro, peça que escolham uma das cenas retratadas e, a partir dela, imaginem uma história tendo como enredo uma crendice (citada no livro ou não).
Algumas ilustrações provocam o riso ou a surpresa porque estão, de algum modo, ligadas a outros significados. Pergunte aos alunos o que acharam da Lanchonete Pato Ronald e da Pensão Barata. Se quiserem, podem comentar outras ilustrações de que gostaram muito.
Peça a opinião dos alunos sobre a figura do Mestre André que é um pouco ator, um pouco sábio, um pouco mágico. Pergunte se a sua cabeleira ouriçada lembra a de grande físico alemão de século XX, e quem seria.
Datas comemorativas
- DIA MUNDIAL DA RELIGIÃO (21 DE JANEIRO)
- DIA NACIONAL DO LIVRO (29 DE OUTUBRO)