TROCANDO IDÉIAS COM OS LIVROS DA FORMATO
AMIGOS DO PEITO
Cláudio Thebas
Ilustrações: Eva Furnari
O livro
Trata-se de um livro de poemas, o que pode ajudar a romper o modo convencional de perceber e de julgar, fazendo com que o leitor veja o mundo com olhos novos. Os poemas falam do cotidiano de uma criança pequena, da hora em que acorda até a hora de dormir. A casa, o sono pesado na hora de levantar, a escola, a vizinhança, os amigos, a hora do almoço, o irmão menor, a tia, o médico... vão envolvendo o leitor num clima bem-humorado e carregado de poesia e ternura.
O texto
Questões de interpretação
Vale lembrar que um poema, mesmo pequeno e aparentemente singelo, carrega uma porção de sentidos. É isso que o torna rico e prazeroso. Pergunte à classe:
- Em "A casa" (p. 5), as últimas linhas dizem: "Uma casa!/ Puxa vida!/ É o princípio da alegria!!". Por quê?
- Quando substituímos a significação natural de uma palavra por outra que mostra semelhança, temos uma metáfora. Esse recurso é muito usado na linguagem poética. Por que o menino do poema "Sono pesado" (p. 6-7) vai para a escola "com o bicho nas costas e tudo!"?
- No poema "Irmão menor" (p. 17), pode-se fazer o retrato do dia-a-dia da criança, com tudo a que ela tem direito. Como é esse dia-a-dia? Só tem coisas boas? Ele é igual para todas as crianças? Por quê?
- O poema "Hora do banho" (p. 26-27) começa e termina com frases parecidas. Por que será que o autor usou esse recurso?
- No poema "Hora de dormir" (p. 28), há uma comparação interessante: "eu sou que nem a luz do quarto". Por que a criança pensou assim? (Professor: comente com os alunos o uso da expressão "que nem" substituindo o como.)
- A partir da leitura dos poemas, tente fazer um "horário" para as atividades da personagem focalizada em "Sono pesado" (p. 6-7) ou "Hora de dormir" (p. 28).
Por exemplo: 6h - acordar, 6h15 min - tomar café etc.
Questões de linguagem
- No último poema do livro, uma nomatopéia "clic "aparece duas vezes. Peça às crianças que comentem as duas situações.
- Em "O médico é o monstro?" (p. 21), a mudança de apenas uma letra modificou o sentido da palavra. Peça aos alunos que sublinhem no texto (a lápis, naturalmente) ou copiem no caderno a frase em que isso aconteceu.
- Sobre o poema "O gato" (p. 20), pergunte aos alunos como pode ser entendida a frase final: "Tão lindo, tão ágil, que gato!".
- Usando como exemplo "A casa" (p. 5), converse com os alunos sobre o fato de que uma letra pode mudar muita coisa, dando origem a outra palavra, como acontece em: "Sou cimento,/ sou ciumento". Sugira à turma que altere as palavras seguintes, acrescentando ou tirando apenas uma letra: muro; volta; fica; mudo; casa.
- No poema "Amigos do peito" (p. 12-13), são atribuídos "sobrenomes" às pessoas, como, por exemplo, "Ana Lúcia da esquina". A partir dessa idéia, faça com os alunos uma lista de nomes de cinco pessoas conhecidas ou inventadas, acrescidos desse tipo de "sobrenome".
Bate-papo, pesquisa & companhia
- Há uma campanha de prevenção contra acidentes no trânsito com o slogan: "Use o cinto de segurança, o seu amigo do peito". Pergunte aos alunos: que sentidos tem essa frase? E que sentidos tem o título do livro, Amigos do peito?
- Discuta com a classe a frase: "Amigo não tem sobrenome:/ amigo tem endereço" (p. 13). Se possível, leia o poema "Casa de amigo" (p. 13), do livro Casas, de Roseana Murray (Formato).
- Oriente os alunos numa entrevista com um vizinho sobre as "delícias" e os "incômodos" de morar naquela região.
- Converse com a turma sobre a importância de um bom desfecho para o poema. Certos textos bonitos se perdem quando não são bem finalizados. Peça que leiam os desfechos de que mais gostaram.
- A partir do poema "A visita da tia" (p. 22-23), converse com os alunos sobre os parentes e sobre seu relacionamento com eles: qual o mais amigo, o mais implicante, o mais caladão, o mais justo e o "preferido".
Produção de texto
- Leia os poemas "Hora do almoço I e II" (p. 14-16) para a turma, depois converse sobre apetite, comidas que preferem. Peça que tragam propagandas de medicamentos que são vendidos como complemento alimentar, fotos ou ilustrações de frutas e legumes. Depois a turma pode montar uma carta enigmática, endereçada a um amigo. Os assuntos podem ser os mais variados: comidas de que mais gostam, a imposição familiar quanto aos hábitos alimentares, as extravagâncias alimentares quando estão fora de casa, etc. No lugar dos nomes dos alimentos, os alunos colarão as figuras correspondentes.
- A tia gorda é um "urso de bolsa e vestido?" (p. 22). A partir dessa frase, que tem uma metáfora (tia = urso), sugira a criação de um pequeno texto ou uma quadra na qual o aluno vai fazer analogia entre uma pessoa e um animal ou objeto.
- Após a leitura do poema "A escola" (p. 8), sugira aos alunos que escrevam uma página de diário, falando sobre a rotina escolar.
O projeto gráfico
- Na página de rosto (p. 1) há uma ilustração que traduz um episódio contado em um dos poemas. Pergunte à turma que episódio é esse.
- Comente a ilustração da capa, relacionando-a ao título (as diferenças individuais, os animais, os brinquedos, etc.). Peça aos alunos que observem o caráter descritivo que as cores têm. Num fato ocorrido durante o dia, que cores são usadas? Dê exemplos, citando as páginas em que aparecem. E à noite? Que cor predomina? Peça que exemplifiquem.
- A ilustradora brinca muito com o traço. Peça que escolham, por votação, a ilustração mais engraçada do livro.