Sobre a Obra
Em sinal de protesto contra a especulação imobiliária que está desfigurando e tornando árida a pequena cidade de Santo Antão de Mangabela, seu Candinho, um velho morador, sobe na mangueira mais alta da cidade, a que lhe deu nome, e de lá não quer mais descer. Considerado louco, é internado no hospital. Enquanto isso, os homens da construtora chegam para derrubar a mangueira e se surpreendem ao ver que todas as crianças da cidade estão encarapitadas na árvore, cantando a mesma canção que seu Candinho cantara para fazer os moradores refletirem a respeito da destruição das árvores plantadas por seus antepassados.
Assunto/tema: a especulação imobiliária como agente de desfiguração e destruição do verde.
Temas secundários: ecologia: predação x preservação do meio ambiente; a obra dos antepassados: importância histórica, continuidade, memória etc; língua portuguesa: expressões populares e seus sinônimos; o nome dos personagens como reforço ao significado do texto.
Sobre o Autor
MARCOS BAGNO
Mineiro de Cataguases, sempre viveu fora de Minas Gerais. Morou na Bahia, no Rio de Janeiro, em Brasília, Recife e São Paulo. Começou sua carreira de escritor em 1988, quando seu livro de contos "A Invenção das horas" ganhou o Prêmio Nestlé. Desde então vem publicando outros livros e ganhando mais prêmios. Seus temas preferidos são: ecologia, poesia, brincadeira com as palavras, afeto pelas pessoas mais velhas e esperança na sensibilidade dos mais jovens.
Material complementar
TROCANDO IDÉIAS COM OS LIVROS DA FORMATO
O livro
Em sinal de protesto contra a especulação imobiliária que está destruindo a beleza da pequena cidade de Santo Antão de Mangabela, seu Candinho, um velho morador, sobe na mangueira mais alta da cidade, e de lá não quer mais descer.
Considerado louco, é internado no hospital. Enquanto isso, os homens da construtora, chegando para derrubar a mangueira, encontram, surpreendidos, todas as crianças da cidade encarapitadas na árvore, cantando a mesma canção que seu Candinho cantara para fazer os moradores refletirem a respeito da destruição das árvores plantadas por seus antepassados.
Tema transversal
- Meio ambiente: a convivência humana e sua relação com o ambiente.
O texto
Questões de interpretação
- Pergunte aos alunos:
- Espaço ou ambiente é o lugar onde um fato acontece. A história se passa num espaço aberto ou fechado? Que importância tem isso para a narrativa?
- Como seu Candinho reagiu ao perceber que sua casa também seria derrubada para dar lugar a um shopping center? Você também ficaria indignado? O que você faria?
Polifemo, sobrinho do seu Candinho, é quem cuida dos negócios dele. Na mitologia, quem foi a ciclope Polifemo e quais eram as suas características? Eles têm algo em comum? Explique.
- Por que, mesmo "humildezinhas", as casas da Rua de São Francisco eram importantes para os seus moradores? Na sua opinião, as crianças sentem saudades, ou só os adultos?
- Quais os perigos que seu Candinho enfrentou para defender Mangabela? Ele obteve sucesso? Que preço pagou por seu ato?
- Apesar de ser considerado por alguns um homem muito respeitado, importante e bom, quem é, na verdade, o doutor Aurélio Denário Argentino Tantagrana? O que o nome dele diz sobre o seu caráter?
- Quando as pessoas se dispersam e o falatório acaba, o "céu está cor-de-rosa" (p. 25). Que horas você acha que eram?
- Tente responder à pergunta feita no final do livro (p. 26). As pessoas acordam, no dia seguinte, com olheiras e dor de cabeça. Por que não conseguiram dormir direito?
- Responda à pergunta final (p. 27).
Questões de linguagem
- No primeiro parágrafo, o narrador enumera pessoas e bichos, mas o autor não usa vírgulas. Converse com a turma sobre isso. Gramaticalmente, está certo ou errado? Há outros exemplos ao longo do texto. Se possível, comente-os também.
- Encontre no texto palavras e expressões que indicam barulho, confusão. Exemplos: bafafá!, sururu! e rebuliço! (p. 4).
- O autor usa expressões da linguagem oral para ajudar a criar um tom coloquial. Peça aos alunos que citem duas dessas expressões.
- Nas frases nominais, por faltar o termo que indica a ação, temos a impressão de que estamos diante de uma fotografia, como em "Uma casinha feia... velha... mal cuidada..." (p. 11). Peça aos alunos que procurem outros exemplos ou imaginem algumas frases desse tipo que poderiam ser incluídas no texto.
- Algumas frases foram colocadas entre parênteses. Consulte uma gramática junto com os alunos e procure justificar o emprego desse sinal de pontuação.
- Converse com a turma sobre a frase: "Ele se entrega, murcho e triste, sem mais resistência" (p. 24). Compare-a à idéia que o ilustrador faz de seu Candinho, na página 9: um arqueiro defendendo a mangueira a todo vapor...
Bate-papo, pesquisa & companhia
- Debate: as construções da cidade muitas vezes destroem áreas verdes; a obra dos antepassados: sua importância, continuidade, memória etc.
- Converse com os alunos sobre expressões populares da língua portuguesa e seus sentidos, assim como a escolha dos nomes das personagens, reforçando o significado do texto.
- Que tal musicar os versos que compõem a cantoria de seu Candinho? Por serem de sete sílabas (ou redondilha maior), eles se encaixam em diversas melodias, como Ciranda, cirandinha, Terezinha de Jesus; O cravo brigou com a rosa; Asa branca e muitas outras.
- Hora do vídeo: apresente o vídeo Homenzinhos, do Projeto Vídeo-Escola, código 06.011.9(05). Um dos episódios mostra um madeireiro que derruba uma árvore e é atacado por um lobo e passa a necessitar dela para se proteger. É um filme russo de animação, em cores, com 10 minutos de duração. Os alunos podem compará-lo com Bafafá em Mangabela!!!
Proponha um júri simulado: prós e contras da chegada do progresso. (Lembre a diferença entre progresso para todos e progresso para o bolso de alguns.)
Produção de texto
Peça aos alunos que escolham uma ou mais atividades:
" A partir da frase "Agora a rua toda é um deserto comprido" (p. 13), faça um pequeno texto usando metáforas, isto é, palavras em sentido figurado, por efeito de comparação ou analogia.
" Escolha um assunto e, sobre ele, crie duas frases narrativas, bem rápidas e diretas, e desenhe uma charge (ou um cartum). Não é necessário ser um grande desenhista: o mais importante é mostrar a idéia. Se preferir, aproveite o tema de Bafafá em Mangabela!!!
" Continue o poema, mostrando a chegada das máquinas para derrubar a mangueira, e dê um desfecho: "Cidadezinha cheia de graça.../ Tão pequenina que até causa dó!/ Com seus burricos a pastar na praça.../ Sua igrejinha de uma torre só..." (Mario Quintana, Poesias, Globo, 1994).
O projeto gráfico
Comente com a turma o ponto de vista que o ilustrador usou para criar as imagens: o que é visto do alto, o que é visto de perto, etc. Pesquise outras ilustrações ou fotografias sobre esse aspecto e mostre à turma.
Na página 15, por que o ilustrador focalizou os pés de seu Candinho e não mostrou o resto do corpo? Pergunte aos alunos.
Uma árvore cheia de crianças (p. 27), como se fossem frutos. Pergunte aos alunos o que esse final sugere.
Datas comemorativas
- DIA DA ECOLOGIA (04 DE OUTUBRO)
- DIA NACIONAL DO LIVRO (29 DE OUTUBRO)