Texto
de apoio
Matérias relacionadas: Português,
Ciências, Geografia, Literatura |
|
“Olhos
cerrados”, “Nem tudo que é torto”
e “O cerrado é milagre”,
de Nikolas Behr
A seguir,
três poemas de Nikolas Behr, poeta de Brasília,
tratam das belezas, do preconceito e da destruição
que o Cerrado enfrenta:
| Olhos
cerrados
olhos cerrados
abertos
para
ver
certos
cerrados
certos
e
certos
desertos
errados
(o deserto certo
chora areia) |
Nem
tudo que é torto
nem tudo
que é torto
é errado
vide as pernas
do garrincha
e as árvores
do cerrado |
O cerrado é milagre
o cerrado é milagre,
como toda a vida
(é também pedaço do planeta que desaparece)
abraço meu irmão pequizeiro
ando de mãos dadas com as sucupiras
os jatobás sorriem
as perobas não dizem nada, apenas sentem
minhas amigas abelhas são filhas das flores
agora prepare seu coração:
correntão vai passar e levar tudo
ninho de passarinho rasteiro também
depois do correntão brotou o que tinha que brotar
mas já era tarde – faca fina do arado
cortou a raiz pela raiz
e aí não brotou mais nada
aliás brotou coisa melhor: soja, verdinha, verdinha
que beleza diziam
olhe bem os cerrados da próxima
vez
rasteje por entre capins e cupins
e sinta o cheiro do anoitecer
antes de terminar pergunto:
quem vai pagar
a conta de tamanha destruição?
- “tudo bem, daqui a cem anos estaremos todos mortos”
disse alguém
certo. estaremos todos mortos mas nossos netos não
o cerrado é milagre
minha gente.
|