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A ESTRUTURA DA OBRA

Três graves endemias brasileiras

Já discutimos o significado de endemias, que são doenças típicas de uma determinada região e que aí se mantêm durante longos períodos com taxas mais ou menos constantes.

As dificuldades de combate dos insetos transmissores, as condições socioeconômicas das populações e a inexistência de vacinas são fatores que têm impedido a erradicação de três graves endemias brasileiras causadas por protozoários: a doença de Chagas, a malária e a leishmaniose.

A doença de Chagas é incurável e afeta especialmente o coração, causando nos doentes insuficiência cardíaca, indisposição, enfraquecimento, dilatação do esôfago e do intestino. Muitos doentes ficam incapacitados para o trabalho ou morrem muito cedo, entre 30 e 40 anos de idade. As crianças são mais sensíveis, e se a doença for adquirida na infância a morte é mais freqüente.

Como medida de prevenção ou profilaxia, não basta o combate ao inseto pela pulverização de inseticidas. Essa doença só poderá ser gradualmente eliminada se as populações das áreas mais afetadas tiverem melhores condições de habitação, com casas de alvenaria, que não deixam esconderijos para os barbeiros.

No caso da leishmaniose e da malária, é fundamental o combate aos mosquitos que transmitem os parasitas pela picada. É particularmente grave o problema da malária, com aumento do número de casos em vários estados, devido à expansão das atividades agropecuárias com desmatamento, garimpo, extração de minerais e abertura de estradas. Essas atividades implicam a migração de milhares de pessoas que levam os parasitas para novas regiões, onde já existem os insetos transmissores.

No Brasil, o número total de casos de malária é estimado em 500 mil, levando-se em conta que um número muito grande deles não é notificado.

A profilaxia é feita tentando-se eliminar o mosquito-prego (anófeles) com pulverizações de inseticidas, e suas larvas, com a criação dos barrigudinhos, pequenos peixes comedores das larvas aquáticas de vários insetos. É ainda importante a drenagem de regiões alagadiças e charcos; a colocação de telas nas janelas; o uso de mosquiteiros e véus nas camas etc. Há ainda drogas que devem ser tomadas pelas pessoas que vivem ou viajam em regiões com incidência de malária. Essas drogas impedem que o parasita se desenvolva no sangue humano. É importante ainda o tratamento dos doentes e o controle dos migrantes, eventualmente portadores da malária.

Em relação à leishmaniose, correm risco os trabalhadores de regiões que estão sendo desmatadas, onde vive o mosquito-palha. Essa doença é de difícil cura e, se o paciente não for bem atendido, poderão surgir lesões deformantes, especialmente no rosto.

Como vemos, a eliminação de endemias é um problema de difícil solução, que só pode acontecer com diferentes tipos de ações, num trabalho constante, e com o apoio de instituições de saúde de vários níveis.

Trabalhando a leitura

1. Parasitoses só existem onde há parasitas e seus transmissores. Sabendo disso, relacione o surgimento da malária, da leishmaniose e da febre amarela em algumas regiões com abertura de estradas.

2. Peixes barrigudinhos, sapos, lagartos, pássaros, aranhas, escorpiões etc. são animais insetívoros, pois se alimentam dos mais variados insetos. De que forma eles contribuem para o controle de algumas endemias?

3. Por que é alta a incidência de malária em áreas alagadiças, junto a lagos e rios, em regiões tropicais?

(Ciências - Entendendo a Natureza, 6ª série, página 260.)