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Macacos não tem pulgas! (quando vivem na natureza)

Tanto o homem como os macacos pertencem ao grupo dos primatas. Na realidade, os animais que chamamos popularmente de "macacos", e que são o objeto desse artigo, compreendem os macacos do Velho Mundo, como os babuínos e o mandril, os macacos do Novo Mundo, como o sagüi e o mico-leão, e por fim os pongídeos, que são o chimpanzé, o orangotango e o gorila. Os pongídeos diferem dos macacos "verdadeiros" por não terem cauda. Juntamente com o homem, os macacos do Novo Mundo, os do Velho Mundo e os pongídeos fazem parte do grupo dos antropóides, palavra que significa semelhante ao homem.

Os macacos estão sempre catando os companheiros. Mas, ao contrário do que muitas pessoas imaginam, eles não estão catando pulgas. O que eles procuram, revirando os pêlos uns dos outros, são carrapatos, piolhos e percevejos. Os macacos não têm pulgas quando vivem na natureza; no entanto, elas são abundantes no seu pêlo quando vivem em cativeiro. Para compreender esse fato, precisamos antes ter uma noção do ciclo de vida da pulga.

A pulga bota ovos no chão. Em três dias, saem larvas que se nutrem de detritos que se encontram no ambiente. Após duas semanas de crescimento, as larvas tecem um casulo e formam as pupas. A pupa, dentro do casulo, nada mais é do que a própria larva no processo de transformação em inseto adulto, não come nem se move durante esse período. Depois de duas semanas, sai do casulo uma pulga prontinha para saltar sobre um hospedeiro.

Portanto, durante praticamente um mês do ciclo de vida – desde a fase de ovo até estar pronta para pular no hospedeiro - a pulga vive solta no ambiente, sem ainda parasitar ninguém.

As pulgas não parasitam os macacos que vivem na natureza; isso porque muitos pulam de árvore em árvore, sempre mudando de um lugar para o outro à procura de folhas, de frutos e de caça. As pulgas, devido ao fato de as primeiras fases do desenvolvimento ocorrerem no chão, só conseguem parasitar mamíferos que vivem em habitação fixa, seja ela uma toca, uma jaula do zoológico ou a nossa casa, no caso dos animais domesticados, como o cão e o gato.

Os ancestrais do homem, por seu lado, vivem em abrigos desde os tempos mais remotos. Sempre tiveram pulgas, no entanto bem menos do que os mamíferos peludos, provavelmente. É quase certo que num passado distante nossos ancestrais tivessem o corpo coberto de pêlos, tal como nosso primo, o chimpanzé. Por isso, deviam viver infestados de pulgas, carrapatos e percevejos, parasitas que enfraquecem seu hospedeiro e transmitem-lhe doenças diversas. Pode-se supor, assim, que antepassados que porventura nascessem com menos pêlos sobreviveriam em maior número do que aqueles que fossem muito peludos. Sendo menor a mortalidade dos indivíduos com pouco pêlo, eles devem ter passado a predominar na população; ao se reproduzirem, deixavam descendentes também com menor quantidade de pêlos. Assim, pouco a pouco, a espécie humana deve ter se tornado menos peluda; hoje somos nus, quando comparados aos macacos, nossos parentes próximos no decorrer da história da vida.

Adaptado pelos professores César, Sezar e Bedaque
d
e O macaco nu, de Desmond Morris, Editora Record, l967.