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Transplantes de células Desde os primeiros transplantes de rins e coração, foi grande o progresso alcançado nessas cirurgias, quanto às técnicas e ao tratamento dos pacientes para impedir a rejeição dos órgãos transplantados. Atualmente estão em fase experimental novas técnicas para implante de células em pacientes com deficiência ou falta de produção de algumas substâncias, como por exemplo hormônios. Essas técnicas têm a grande vantagem de não necessitar de drogas imunossupressoras, que impedem a rejeição, pois as células do doador são mantidas em cápsulas implantadas no corpo do receptor. Tais cápsulas têm membranas semipermeáveis, que deixam passar as substâncias metabolicamente importantes (sais, glicose, aminoácidos, excretas, gases), de pequeno peso molecular, mas impedem a passagem de grandes moléculas protéicas, justamente aquelas implicadas no mecanismo de rejeição. Células das ilhotas do pâncreas, por exemplo, são mantidas em cápsulas que, implantadas em diabéticos, vão liberando lentamente a insulina. Pelo seu baixo peso molecular esse hormônio atravessa a membrana seletiva da cápsula e entra na corrente sangüínea do receptor, regulando assim a taxa de glicose no sangue (glicemia). É assim evitado o contato direto entre tecidos do doador e do receptor e conseqüentemente o sistema imunológico do receptor não é estimulado para desencadear o processo de rejeição, através da ação dos leucócitos (fagocitose, produção de anticorpos e de substâncias citotóxicas). Outra técnica recente implanta cápsulas de células bovinas na região sacra da medula raquidiana de pacientes com câncer. Tais células medulares das supra-renais produzem várias substâncias de propriedades analgésicas, como por exemplo catecolaminas e encefalinas, além da adrenalina. Elas atravessam a membrana semipermeável e vão atuar no organismo do paciente, diminuindo a dor e a necessidade de altas doses de morfina e outras drogas, que provocam efeitos colaterais indesejáveis. A técnica foi recentemente testada na Suíça, em alguns voluntários, pacientes terminais de câncer. Após seis meses foram retirados os implantes, que não mostraram nenhuma alteração estrutural ou sequer um fibrosamento que indicasse rejeição. Durante o tratamento, os pacientes mostraram realmente um melhor estado geral do que quando se usava morfina. Como vemos, essa técnica do transplante de células vivas encapsuladas é um novo e promissor recurso que poderá ser usado, com sucesso, em diferentes terapias.
Pesquisa
e autoria dos professores César, Sezar e Bedaque |