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Mogno, catalisador da destruição da Amazônia

Ao redor de 5 milhões de km2, centenas de milhares de espécies vegetais e animais, muitas ainda desconhecidas, mais de 120 espécies de árvores por hectare. Indiscutivelmente, essa descrição corresponde a um imenso reservatório de biodiversidade: a Floresta Amazônica.

Essa riqueza, no entanto, está sendo destruída de forma sistemática; estima-se em 12% a destruição da cobertura vegetal nos últimos dez anos. Desmata-se para se obter madeira, para criar pastos e para a mineração. Os índios têm sido deslocados das regiões que ocupam pelo “desenvolvimento” que destrói a Floresta e ameaça sua cultura. Pior do que isso: toda essa destruição tornou-se possível através de subsídios do governo a grandes companhias e a trabalhadores sem-terra.

Em grande parte, a destruição da Floresta é catalisada pela derrubada de mogno, principalmente em terras de índios ou em áreas protegidas, sem fiscalização por parte das autoridades. A destruição das árvores é tão intensa que os caminhões viajam hoje por centenas de quilômetros para chegar ao mogno. As longas estradas abertas para o transporte da madeira, por sua vez, facilitam o acesso à floresta a agricultores sem terra e a criadores de gado que derrubam a floresta e promovem queimadas. Estima-se que 3000 km de novas estradas tenham sido abertas apenas no Estado do Pará, para a derrubada do mogno.

Cientistas brasileiros estimam que o corte de uma árvore de mogno provoca a destruição de muitas outras plantas, resultando numa abertura de 356 m2 na cobertura vegetal. Somando-se a isso a abertura de estradas e outras obras de infra-estrutura, chega-se a um desmatamento de 1.450m2 para cada árvore de mogno derrubada! Isso sem contar que maior parte da exploração do mogno é clandestina, e portanto ilegal; calcula-se uma perda ao redor de 1,2 bilhões de dólares anuais para o país, em termos de impostos não-recolhidos.

Aparentemente, no entanto, nem tudo está perdido. Em julho de 1996, um importante decreto foi assinado pelo Presidente da República, com duas determinações principais:

  • O governo brasileiro não dará nenhuma nova concessão para exploração de mogno ou de virola nos dois anos subseqüentes à assinatura do decreto; uma espécie de “moratória”, portanto, no desmatamento.
  • As companhias que operam nessa área seriam submetidas a auditorias, e teriam suas licenças cassadas caso irregularidades fossem comprovadas. (Esse número de cassações foi estimado, na época, em 60-70% das licenças atuais).

Além disso, uma medida provisória reduziu a área desmatável para a agricultura em regiões florestais de 50% para 20%. De acordo com o IBAMA, 6 milhões de dólares seriam gastos num programa de fiscalização com 650 agentes, 120 veículos, 30 barcos, e patrulhamento aéreo. A combinação dessas duas medidas (o decreto e a medida provisória), se tudo der certo, irá provavelmente diminuir a velocidade com que a Floresta vem sendo destruída.

Texto traduzido e adaptado pelos professores César, Sezar e Bedaque
de artigo do site do Greenpeace. As fotografias foram obtidas da
mesma fonte. Se você quiser visitar a página do Green Peace,
o endereço é: www.greenpeace.org.