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Vespa contra vespa um exemplo de controle biológico Quarta-feira, 29 de outubro de 1997, pela manhã. Um novo inseto está habitando as florestas brasileiras: é a Megarhyssa, uma vespa com cerca de 5 cm de comprimento que foi importada da Austrália pela Embrapa, e que concluiu sua quarentena no Brasil. A Megarhyssa é inimigo natural de outra vespa, esta mais conhecida, a vespa da madeira, que causa prejuízos estimados em dois milhões de dólares por ano na região Sul do Brasil. O nome científico da nova imigrante é Megarhyssa nortoni. Foram trazidos 70 casais pela Embrapa Florestas (Colombo-PR) com apoio do Serviço Florestal Americano e Instituto Internacional de Controle Biológico da Inglaterra. Os 140 insetos já morreram, mas deixaram descendentes, que irão cumprir a missão de impedir a proliferação da vespa da madeira, já que utilizam suas larvas como alimento. A vespa da madeira (Sirex noctilio) é a principal praga que afeta as plantações de pinheiros (Pinus sp) brasileiras. Ela chegou ao Brasil em 1988, trazida por acidente. Pesquisadores da Embrapa acreditam que ela tenha entrado no país em caixas de embalagem ou madeira serrada. Originária da Europa, Norte da África e Ásia, pouco depois causava no Brasil prejuízos estimados em cinco milhões de dólares anuais. Isso porque ela foi introduzida num ambiente em que seus inimigos naturais não estavam presentes. Assim mesmo, as medidas de controle desenvolvidas pela Embrapa permitiram reduzir as perdas para dois milhões de dólares/ano. Para fazer a postura, a vespa da madeira coloca ovos nas árvores. As larvas se desenvolvem e constroem galerias na madeira. A vespa também inocula uma substância tóxica e um fungo, que prejudicam as defesas da planta. Os sintomas do ataque pela vespa são um " vazamento" de resina do tronco, seguido por clorose e perda das agulhas do pinheiro. O crescimento do tronco diminui muito; além disso, os vasos lenhosos (do xilema) acabam sendo obstruídos pelo crescimento do fungo. A árvore, dessa maneira, pode ser levada à morte em seis meses. Relatam-se casos de perda de 65% de árvores de um plantio. Hoje a vespa concentra seus ataques no Paraná, em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul. O pesquisador Edson Tadeu Iede, da Embrapa Florestas, é o coordenador do programa de controle. Ele explica que a vespa Megarhyssa é parte de uma estratégia mais ampla no combate à vespa da madeira. Em 1990 a Embrapa Florestas, em parceria com empresas florestais, trouxe da Austrália um nematóide que ataca as larvas da vespa dentro do tronco. As larvas atacadas chegam a se transformar em vespas, porém as fêmeas são estéreis.O nematóide é criado em laboratório e fornecido aos produtores para aplicação em árvores atacadas pela vespa da madeira. Aparentemente, esse nematóide representa o controle biológico mais efetivo da praga. Dois outros insetos inimigos da vespa, além da Megarhyssa, também foram introduzidas no ambiente. A pesquisadora Suzete Penteado explica que "a vespa Megarhyssa irá ajudar a reforçar o sistema de controle". Os pesquisadores da Embrapa asseguram que a introdução das vespas não causa efeitos indesejáveis ao meio ambiente. Ao contrário, elas ajudam a estabilizar o ecossistema, já que sua presença aumenta a diversidade existente no ambiente. Graças ao esforço desenvolvido, a Embrapa conseguiu conter o ataque e, mais importante do que isso, reduzi-lo em 70%. A Embrapa Florestas é hoje um centro de referência para controle e pesquisa da vespa da madeira na América do Sul. Um único evento de treinamento, promovido no ano passado pela Embrapa, conseguiu trazer cientistas da Argentina, Chile, Uruguai, África do Sul, Inglaterra e Austrália. Além do treinamento, o encontro serviu para estimular a cooperação internacional para a formação de uma rede de informação sobre pragas florestais nos países da América Latina. Clique sobre a palavra Megarhyssa, para ver uma foto do inseto. Adaptado
pelos professores César, Sezar e Bedaque a partir de um artigo |