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Estrógeno. Hormônio da juventude em mulheres... (mas não para todas) Para uma mulher na menopausa, hoje em dia, a coisa mais próxima de um tratamento de rejuvenescimento é a utilização do hormônio sexual feminino chamado estrógeno. Na realidade, trata-se de fornecer à mulher o hormônio que ela esteve produzindo até então, porém deixou de fabricar. Ao redor dos 50 anos, mais ou menos, o ovário das mulheres pára de produzir óvulos; ela não pode mais procriar e também cai a produção de estrógeno, hormônio que os ovários fabricam. A diminuição de estrógeno causa uma série de desconfortos e inconvenientes. Ondas de calor, secura na pele, atrofia na região pélvica (que pode levar à incontinência urinária), mudanças drásticas de humor, insônia, fragilidade óssea cada vez maior (osteoporose), aumento na taxa de colesterol, e maiores chances de ataques do coração são algumas das mazelas causadas pela diminuição das taxas de estrógeno. É por este motivo que o estrógeno é o hormônio mais usado pelas mulheres do mundo todo, já que ele consegue retardar todos os sintomas descritos, como rugas na pele e osteoporose, típicos da idade. Em tempos passados, o colapso dos ovários numa mulher, e portanto de sua produção de estrógenos, coincidia mais ou menos com sua expectativa de vida, que era de mais ou menos 50 anos. A expectativa de vida hoje, tanto para homens como para mulheres, aumentou muito; assim, trata-se de permitir a melhor qualidade de vida possível para as mulheres, após os 50 anos. Há, no entanto, o reverso da medalha. O estrógeno aumenta muito o perigo de câncer de mama e do útero. Sabe-se, por exemplo, que o hormônio estimula o crescimento das células da mama, podendo levar ao aparecimento de tumores. Exatamente por causa desses efeitos colaterais, as terapias com estrógenos estão sendo reavaliadas. Uma pesquisa interessante, feita durante 16 anos com 40.000 mulheres, mostrou que as que tomavam estrógeno tinham um risco de morrer 37% menor do que as que nunca tinham tomado o hormônio. Por sua vez, o risco de um ataque do coração era 53% menor. No entanto, essa mesma pesquisa concluiu também que esses índices favoráveis diminuíam quando se consideravam mulheres que haviam tomado o hormônio por mais de 10 anos, exatamente porque, nelas, aumentava a taxa de mortalidade devida ao câncer da mama. Uma possível conclusão dessa pesquisa seria a de se limitar o tratamento com estrógenos pelo período de poucos anos, no período mais crítico da menopausa, de forma a evitar as ondas de calor, as mudanças de humor e a insônia, típicas desse período, e atrasando-se ao máximo a perda de massa óssea da osteoporose. Por outro lado, o que é bom para algumas mulheres pode não sê-lo para todas. Suponhamos, por exemplo, que uma mulher tenha um risco baixo de doenças cardiovasculares, porém tenha havido vários casos de câncer de mama na sua família, ou que ela própria tenha tido um começo de câncer no seio. Está claro que, para ela, a terapia com estrógenos não é vantajosa, porque não reduziria o risco de ataque cardíaco, que para ela já é baixo, e ao mesmo tempo aumentaria muito as chances de um tumor na mama. Ao contrário, mulheres com baixo risco desse tipo de câncer, mas com alto risco de moléstia cardiovascular, por exemplo com alta taxa de colesterol, se beneficiariam ao máximo com a terapia hormonal. O problema, agora, está em se criar modelos em computador que possam ajudar a avaliar, de forma precisa, as probabilidades de risco para cada caso estudado. Há a esperança de que a síntese de novos estrógenos, feitos sob medida, possa resolver o problema, dando às mulheres todos os benefícios do hormônio atual, sem no entanto estimular o crescimento das células das mamas. É uma questão de se esperar um pouco mais... Traduzido
e adaptado pelos professores César, Sezar e Bedaque (novembro de 1997) |