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El Niño reina!

Mais furacões no Pacífico? A culpa é do El Niño. As pessoas estão se sufocando com a fumaça das florestas tropicais incendiadas? A culpa é do El Niño, que causou secas na Indonésia e na Amazônia, e onde os agricultores usam as queimadas para destruir as florestas e obter área maior de plantio. Entre as conseqüências danosas atribuídas a esse evento estão as secas na África, Austrália e Brasil e as enchentes na Califórnia e na América do Sul.

El Niño acontece todos os anos quando uma grande massa de águas quentes do Oceano Pacífico se move em direção ao oeste ao longo da linha equatorial, na altura do Peru. Isso afeta a distribuição de calor no oceano e muda os padrões de precipitação e circulação da chuva na atmosfera tropical. Embora as águas quentes sejam os primeiros sintomas do El Niño, também acontecem mudanças nas correntes oceânicas e na temperatura das águas abaixo da superfície. (Veja, nesta página, o artigo Medindo a temperatura do planeta.)

Como o pico do aquecimento das águas sempre acontece em dezembro, o fenômeno foi chamado, em l890, de El Niño, em homenagem ao visitante ilustre dessa época do ano: o Menino Jesus. No ano de 1977, o El Niño foi monitorado, pela primeira vez, passo a passo, por um conjunto de bóias no Pacífico, para ser mais bem entendido. Afinal, ele tem uma imensa importância nas atividades humanas e na economia de várias regiões.

O El Niño não é novidade, pois há séculos os pescadores da costa do Pacífico percebem uma diminuição na abundância de peixes em determinada época do ano. Isso, por sua vez, acarreta o desaparecimento de milhões de pássaros, já que suas presas, as anchovas, não estão disponíveis. As pessoas que coletam guano (fezes de pássaros vendidas como fertilizantes) passavam assim por maus tempos, na ausência de pássaros para depositar suas fezes, ricas em nutrientes. Ao mesmo tempo, os navegantes observavam mudanças nas correntes marinhas e no regime das chuvas, e os agricultores se surpreendiam com as chuvas torrenciais em regiões tipicamente áridas.

Naquela época alguns cientistas ficaram intrigados pelo fenômeno, mas não tinham meios para saber a extensão do aquecimento. O interesse pelo assunto se intensificou no fim da década de 1960 com novas observações, incluindo dados de satélites. Os climatologistas e oceanógrafos reconheceram que o El Niño estava afetando muito mais do que a pesca de anchovas e os depósitos de guano.

Durante os anos de 1982 e 1983, o mar do leste do Peru ficou com uma temperatura 4 graus mais elevada do que a média durante o verão no hemisfério sul. Foi o mais intenso El Niño registrado e o tempo virou um inferno, com chuvas torrenciais em regiões normalmente secas do Peru, ocorrendo ainda enchentes no sudeste da Califórnia. O fogo queimou 3 milhões de hectares nas florestas tropicais de Borneo. Estima-se que duas mil pessoas morreram. Nos anos seguintes, os cientistas estudaram mais o El Niño e estabeleceram estatisticamente uma ligação entre as águas mais aquecidas e o aumento das chuvas e das secas, a diminuição de furacões no Atlântico e, inversamente, seu aumento no Pacífico.

Traduzido e adaptado pelos professores César, Sezar e Bedaque,
do site http://whyfiles.org, na Internet.