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Os que dormem pouco e os que dormem muito

A duração total do sono necessário varia de pessoa para pessoa e não é sempre igual. É normal termos períodos mais prolongados de sono, em geral no inverno. Esses períodos se alternam com épocas nas quais conseguimos nos recuperar com apenas quatro ou cinco horas de sono por noite.

Os que dormem muito são aqueles que, mesmo adultos, só se sentem descansados após oito ou mais horas de sono. Os que dormem pouco se satisfazem com quatro ou cinco horas. A ciência ainda não conseguiu descobrir as causas dessa diferença. Também existem pessoas diurnas e pessoas noturnas: as diurnas gostam de levantar cedo e dormir cedo; as noturnas preferem dormir tarde e levantar tarde. Não se sabe, também nesse caso, a causa dessa diferença de comportamento.

Há pessoas que acham que têm "insônia" porque dormem apenas quatro ou cinco horas. Talvez devessem aceitar que fazem parte do grupo dos que dormem pouco. Pesquisas que compararam pessoas que normalmente dormem pouco com outras que dormem muito mostraram que não é a duração do sono que conta para se sentir o efeito do repouso, mas a passagem por determinadas fases do sono. Pessoas que dormem pouco e se sentem bem têm sono profundo e sono superficial alternados, só que a duração das fases intermediárias é mais curta.

Conseguimos ficar muito mais tempo acordados do que se acredita: os maiores registros estão na casa das duzentas horas. Uma única noite é suficiente para uma pessoa se recuperar de um período longo sem dormir.

Os bebês dormem cerca de catorze a dezoito horas por dia. Mas, à medida que as pessoas vão se tornando mais velhas, a duração do tempo de sono encurta consideravelmente.

De cada cinco adultos, um reclama de uma ou outra forma de insônia. De cada dois, um toma de vez em quando ou regularmente medicamentos para dormir. A insônia é, portanto, um mal bastante comum. Mas tomar soníferos não é a solução, pois quem toma esses medicamentos raramente se sente disposto na manhã seguinte. Outra forma de perturbação do sono é o sono leve, que é interrompido várias vezes durante a noite sem que haja uma causa externa, como luz, barulho ou temperatura.

As perturbações mais comuns do sono são os ruídos, a luz, o calor ou o frio, um ambiente muito seco, colchões velhos, roupas de cama sintéticas, restos de fumaça no ambiente e cheiro de produtos de limpeza. Além disso, dormir em um lugar diferente, trabalhar em turnos, estar demasiadamente cansado, com o estômago cheio ou com fome, estar alcoolizado, tomar café ou chá também perturbam o sono.

O ronco é inofensivo (só para quem ronca, é claro!). O rangido dos dentes também não faz nenhum mal além de desgastar os dentes. Falar durante o sono não faz mal algum e tampouco o sonambulismo é visto pela medicina como uma doença (os sonâmbulos quase sempre encontram sem dificuldade o caminho por entre os móveis). Os pesadelos e as crises de medo durante a noite, principalmente nas crianças, perturbam o sono e são causados por problemas psicológicos.

Adaptado pelos professores César, Sezar e Bedaque
de O Sono Saudável, Dr. Gunther Lippler, Editora Cultrix, São Paulo, 1989.