Voltar

 

A viagem fantástica de Jacques Cousteau

Ninguém se lembra mais do tempo em que, para mergulhar a grandes profundidades, usava-se um pesado escafandro, ligado a uma bomba de ar acionada da superfície. Esse incomodo equipamento não dava liberdade de movimentos e, com freqüência, provocava acidentes fatais. Também ficou no passado o tempo em que, para ver algo da vida submarina, estávamos limitados a um visor de vidro, colocado no fundo de um barco.

Tudo isso é anterior a Jacques Cousteau, pesquisador francês, que, junto com seus colaboradores, inventou o aqualung, aquele cilindro de ar comprimido que os mergulhadores carregam às costas e que permite respirar debaixo da água.

Foi com o aqualung que Cousteau explorou oceanos, rios, lagoas, cavernas. Vasculhou cada canto do planeta, nos permitindo acompanhá-lo nessas expedições: os filmes que produziu durante 50 anos deixaram a todos nós fascinados com a beleza da natureza das profundezas. O espetáculo do mundo submerso, antes praticamente desconhecido para nós, foi se tornando cada vez mais acessível e familiar.

Cousteau morreu aos 87 anos de idade. Durante sua vida, lutou pela preservação da Antártida, denunciou os teste nucleares do Pacífico Sul e a pesca indiscriminada das baleias. Fez parte da Resistência na França, durante a Segunda Guerra. Escreveu oitenta livros e realizou setenta filmes sobre o mundo subaquático. Embora alguns cientistas torcessem o nariz para sua falta de formação cientifica, Costeau trouxe a ciência da natureza para mais perto de todos nós. Por conhecer o poder da beleza das coisas da natureza, trabalhou incessantemente para compartilhar essa beleza com o homem comum. Muitas gerações cresceram vendo seus filmes; seu rosto era um dos mais familiares do planeta.

Cousteau acreditava naquilo que chamava de "ciência da alegria"; a beleza da natureza era sua fonte inspiradora. Dizia ele, alguns anos atrás: "Acredito que a felicidade é deste mundo, e que ela pode ser ensinada". Sem dúvida nenhuma, Cousteau tem "ensinado a felicidade" a muitas pessoas que acompanharam suas viagens, assistindo a seus filmes ou lendo seus livros.

Traduzido e adaptado pelos professores César, Sezar e Bedaque
de "One Fantastic Voyage", Newsweek, julho de l997.