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Angioplastias: uma forma de tratar doenças das coronárias Doença do fim do século? Nas últimas décadas, tem ocorrido um grande aumento na incidência de vários tipos de problemas cardíacos, muitos deles fatais, especialmente os relacionados às coronárias. As artérias coronárias irrigam o miocárdio, alimentando-o e garantindo a eficiência do trabalho cardíaco. Uma redução do fluxo de sangue nessas artérias provoca diferentes graus de lesões do miocárdio, levando com freqüência ao enfarto. Por que esse aumento na incidência desse tipo de problema, nos últimos anos? Além do componente genético, há uma série de fatores da vida moderna que justifica essa estatística: destacam-se o estresse, o sedentarismo, o fumo, a ingestão de álcool e as altas taxas de colesterol e triglicérides no sangue (veja, nesta homepage, os artigos "Colesterol: bandido ou mocinho?" e "O bom colesterol e o mau colesterol"). A evolução das técnicas não-invasivas Nos últimos anos, a medicina tem procurado alternativas menos invasivas do que as cirurgias clássicas, reduzindo os riscos para os pacientes e diminuindo os altos custos dos procedimentos. Como os problemas arteriais mais comuns são a estenose (ou estreitamento) e os ateromas (oclusão por placas), ou ainda os trombos (coágulos), foram tentadas algumas técnicas de desobstrução de artérias em fumantes crônicos. Uma técnica pioneira consistia em introduzir um fio plástico na artéria; no entanto, de forma freqüente, esse fio provocava a ruptura da artéria e, portanto, a ocorrência de hemorragias internas. Em Berlim, Portsmann fabricou um cateter muito fino, que podia ser introduzido no corpo através de artérias de pequeno calibre. Esse cateter estava, na extremidade, associado a um balão que se inflava apenas no local onde a artéria apresentava a lesão. Mais tarde, surgiram os balões cilíndricos, capazes de abranger lesões mais extensas. Na década de 70, em Zurique, Grüntzig desenvolveu com sucesso a utilização das rotas circulatórias naturais do corpo. Foi o próprio Grüntzig que, pela primeira vez em 1977, introduziu um balão para o tratamento de um paciente com estenose coronariana. Antes disso, os tratamentos de coronariopatias somente ocorriam por cirurgias abertas. No entanto, os balões nem sempre se ajustavam direito aos pontos de lesões arteriais; além disso, quando inflados, podiam romper os ateromas, pois esses apresentavam diferentes graus de elasticidade, dependendo da intensidade da calcificação. Em 1968, Dotter fez implantes de espirais metálicas em artérias de animais, observando que se fixavam bem na parede da artéria, sendo logo cobertas por uma nova camada de endotélio. Aparecem os stents Em 1970, Senning, um cirurgião cardíaco, desenvolveu uma prótese de uma liga especial de aço inoxidável, em forma de uma dupla espiral. Essa prótese foi testada em 52 implantes em grandes veias de cães, sem que ocorressem obstruções por tromboses. A partir daí foram desenvolvidos mais de 20 novos tipos de próteses, chamadas de stents, das quais apenas duas se tornaram de uso comum nos Estados Unidos. O primeiro stent usado em coronárias humanas (wallstent) era um tubo de fios metálicos trançados, desenvolvido pela equipe de Ulrich Sigwart, no Hospital Universitário de Lausanne (1986). O wallstent é um tubo de malha muito fina, flexível, implantado através de um cateter introduzido pela artéria femural, na região da virilha. Ele fica praticamente embutido na parede da artéria, pois fica lentamente recoberto por uma fina camada de um neoendotélio, tecido com o qual ele permanece diretamente em contato. Os problemas De 1986 a 1991, o largo emprego do wallstent mostrou que uma das complicações mais comuns era a reestenose dos vasos. Com freqüência, ocorriam tromboses que não podiam ser evitadas pela administração de anticoagulantes. Apesar de todos os problemas, o uso de stents em 1997, em algumas instituições, chegou a 80% de todos os procedimentos em angioplastia. Para reduzir a incidência de tromboses, têm sido usados agentes antiplaquetários (ticlopina) e a tradicional aspirina, e não aumentam muito os riscos de hemorragias. O futuro Estão sendo continuamente testados inúmeros novos tipos de stents, inclusive feitos de alguns polímeros biodegradáveis e de outros materiais. Além disso, os stents têm sido aplicados com sucesso em alguns canais, como a uretra, quando obstruída por hipertrofia da próstata, e em dutos biliares, obstruídos por fibrose ou tumores. No entanto, o maior uso continua sendo nas coronopatias, que chegam a 500 mil por ano, apenas nos Estados Unidos. Com as contínuas pesquisas e os avanços conseguidos, as angioplastias com uso de stents poderão se tornar a melhor alternativa para se evitar um grande número de cirurgias do coração, que além de invasivas e custosas, são inviáveis em muitos pacientes.
Traduzido
e adaptado pelos professores
César, Sezar e Bedaque, |