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O Perfil do Autor

Paulo Sérgio Bedaque Sanches

Ao contrário de meu companheiro César da Silva, que se confessou o veterano do grupo, sou o mais novo deles. Se de um lado isso pode parecer uma vantagem, de outro, faz de mim o mais inexperiente. Costumo dizer que tive a imensa sorte de encontrar esses dois professores especiais (César e Sezar), com os quais aprendi tudo o que sei sobre livros didáticos e ensino de Ciências. Menos que um colega, sou mais um discípulo dos dois.

Tenho sido um professor a vida toda; por opção profissional e por prazer. Em verdade, deixei crescer dentro de mim dois seres distintos: um que sente uma necessidade orgânica por aprender e outro que não se satisfaz enquanto não ensina o que aprendeu. Essa mistura fez de mim um professor de Física, de Ciências e de Computação. Passei por grandes escolas como o Dante Alighieri (SP), o Sion (SP) e o Visconde de Porto Seguro (SP e Valinhos) e estou ancorado atualmente no Colégio Anglo/Campinas, onde sou coordenador pedagógico (além de professor, é claro).

Quando ingressei no Instituto de Física da USP, eu sonhava ser um astrofísico. Acabei optando pelo magistério, mas sobrou ainda aquela vontade de olhar o céu. Assim, já formado, comprei meu primeiro telescópio (que guardo até hoje) e me transformei em um amador de astronomia, minha grande paixão (depois de minha mulher, de meus 3 filhos e de meu netinho, é claro). Carrego em meu currículo, e com muito orgulho, a observação de 4 eclipses totais do Sol. O primeiro, em julho de 91, em Tefé, no interior do Amazonas, a 600 km de Manaus. O segundo, muito menos interessante (as condições atmosféricas não eram favoráveis), no outro extremo do Brasil, em Chuí, na divisa com o Uruguai em junho de 92. Já o terceiro, um dos mais esplendorosos, assistimos de Foz do Iguaçu em novembro de 94. O quarto, tão maravilhoso quanto o de Foz do Iguaçu, observamos em fevereiro de 98, da pequena ilha de Aruba, no Caribe, minha esposa Sonelise e eu.

Tenho outras paixões também. Uma delas é pela poesia de Fernando Pessoa. "Momento imperceptível, que coisa fôste que já há em mim qualquer coisa que nunca passará?". Este verso traduz o que senti no momento da totalidade dos eclipses, uma sensação de transformação, de integração indescritível com a natureza .

Outra delas são as antigas civilizações como a egípcia e a maia. Não consigo perdoar o Tempo por nos ter roubado todos esses tesouros. É a nossa memória que se vai com eles. E nós, que não sabemos para onde vamos, temos ainda que amargar a incerteza de onde viemos. "Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?" disse melhor Fernando Pessoa.

Acredito na educação. Acho que ela é o caminho para as grandes mudanças sociais de que necessitamos. A transformação da sociedade passa pela transformação dos homens. Nosso país precisa reconhecer esse fato. Isso faz de nós, professores, profissionais muito especiais. Bom, já escrevi demais; fiquem com o texto que alguns anos atrás encontrei em um outdoor (na Flórida - EUA): "O preço que se paga pela educação nunca é tão alto quanto o preço que se paga pela ignorância". Nosso país precisa acordar para esse fato.

   
César da Silva Júnior Sezar Sasson