O que é o âmbar, afinal?
O âmbar, desde a antigüidade, encantou e continua encantando as pessoas. Por que motivo uma resina fossilizada de árvores antigas tem tanto charme e exerce tanta atração sobre nós?
As árvores que produziram o âmbar viveram há milhões de anos: nas zonas temperada, principalmente os pinheiros; e nas regiões tropicais, várias espécies de leguminosas. As resinas que essas árvores produziam funcionavam como proteção contra as bactérias e contra os insetos que furavam sua madeira. Com o passar do tempo, essa resina foi perdendo água e ar, e as substâncias orgânicas que a constituíam sofreram o que os químicos chamam de polimerização: a resina endureceu e se transforma naquilo que conhecemos como âmbar.
O âmbar ontem e hoje
Desde os tempos antigos, o âmbar foi muito
utilizado para a fabricação de jóias e de estatuetas. Acreditava-se, também, que ele
tinha propriedades medicinais especiais; assim, misturava-se mel a âmbar em pó
para se curar a asma, a gota e até a peste negra! O âmbar também agia, pensava-se,
contra as forças do mal: esferas de âmbar sempre foram usadas como rosários e
amuletos; a resina podia também ser queimada com outros produtos como o incenso e a
mirra, para afugentar os maus espíritos. Conta-se ainda que os marinheiros, no passado,
queimavam âmbar nos seus navios, como proteção contra serpentes marinhas e outros
monstros das profundezas do mar!
Até hoje, o âmbar continua fascinando pessoas
de todas as categorias. Enquanto artistas e joalheiros se sentem atraídos pela sua
beleza, geólogos e paleontólogos o consideram um importante registro da vida
pré-histórica. Isso porque, em algumas peças de resina, estão preservados insetos,
lagartos, folhas e flores que ficaram nela aprisionados há milhões de anos,
conservando-se detalhes minuciosos de sua estrutura e parte de sua composição química.
Os arqueólogos, por sua vez, se interessem pelas antigas rotas de comércio do âmbar,
enquanto os químicos investigam sua composição. Para os biólogos, organismos
preservados em âmbar são um prato cheio: enquanto botânicos e zoólogos estudam os
organismos neles aprisionados, geneticistas recuperam fragmentos de seu DNA ,
analisando-os e reconstituindo pequenas partes da história da vida. Essa última
façanha, aliás, foi popularizada de forma fantasiosa pelo filme Parque dos
Dinossauros, em que cientistas extraem DNA de sangue de dinossauro, encontrado no
estômago de um mosquito. Este DNA, em seguida, é utilizado para reviver dinossauros!
Ficção científica à parte, a importância real do âmbar para a ciência é muito
grande.
Propriedades
Quando o âmbar é esfregado com um pano, ele fica eletrificado, podendo atrair pedaços de papel. A propósito, o nome grego para o âmbar é elektron, que originou a palavra eletricidade. Não é um bom condutor de calor, e parece quente ao toque, ao contrário dos minerais, que dão uma sensação de frio. Dependendo do tipo de árvore de que provém, a composição química do âmbar varia muito. As cores também são bastante diversificadas: há âmbar com vários tons de amarelo, laranja, vermelho; ele pode ainda ser branco, marrom, e até verde e azul. As cores do arco-íris que às vezes se percebem no interior do âmbar são causadas por bolhas de ar nele aprisionadas. Algumas vezes, ainda, o âmbar, geralmente o de cor azul ou amarela, tem a propriedade de fluorescer. .
De onde vem o âmbar?
A região do Mar Báltico tem sido, desde a
pré-história, a principal fonte de âmbar. Embora não se saiba ao certo quando essa
resina foi usada pela primeira vez, ela foi relacionada às populações da Idade da
Pedra. Foi encontrado âmbar de origem báltica em túmulos egípcios de 3200 A C. Sabe-se
ainda, por exemplo, que a rota comercial dessa substância foi dominada pelos
Vikings dos anos 800 até 1000 de nossa era; a Escandinávia, aliás, continua a ser
um dos maiores exportadores de âmbar. Na atualidade, no entanto, a República Dominicana
tornou-se uma rica fonte da resina fossilizada, vindo em importância logo depois da área
do Báltico. Além disso, o âmbar da República Dominicana tem um registro fóssil mais
abundante: mais ou menos uma peça em cem tem alguma inclusão interessante, contra apenas
1 peça em mil para o âmbar que vem do Báltico.
Fósseis capturados
Conhecem-se mais de 1000 espécies de insetos,
aracnídeos e crustáceos aprisionados dentro do âmbar. Quase 54% dos insetos
aprisionados são moscas; encontram-se também formigas, abelhas, como a da figura,
besouros, borboletas, cupins, aranhas, vespas, escorpiões, baratas, grilos e outros. O
registro vegetal também é notável: há pedaços de samambaias, de musgos, de
gimnospermas, como o cipreste e o pinheiro, e de angiospermas de várias espécies, como
palmeiras e plantas herbáceas. Acham-se ainda marcas de folhas com suas nervuras
detalhados, e também pêlos de mamíferos e dentes molares.
Neste ano, foi anunciada a descoberta das primeiras flores conhecidas preservadas no âmbar, que parecem ser velhas de 65 milhões de anos. Foi também descoberto o mosquito mais velho do mundo, o ancestral dos trilhões de mosquitos sugadores de sangue.
Ressuscitar vidas passadas?
Em maio de 1995, o microbiologista Raul Cano
anunciou ter conseguido reviver bactérias encontradas no âmbar, a partir de esporos
obtidos do abdomen de uma abelha aprisionada na resina, entre 25 e 40 milhões de anos
atrás. O microrganismo, aparentemente, é geneticamente semelhante a uma bactéria
moderna, chamada Bacillus sphaericus, que tem a capacidade, em tempos
bicudos para sua sobrevivência, de parar de se mover, se alimentar ou se reproduzir. Há,
no entanto, algum ceticismo nos meios científicos a respeito dessa descoberta: pensa-se
que dificilmente um esporo de bactéria poderia ter se conservado num estado de vida
suspensa durante tanto tempo. Provavelmente, dizem esses críticos, a bactéria provém de
contaminação dos instrumentos de laboratório. De qualquer modo, se for confirmada a
descoberta, Cano terá sido o primeiro a conseguir uma ressurreição de um ser vivo do
passado, o que seria um tento gigantesco na compreensão de alguns mistérios da
evolução.
Âmbar genuíno e âmbar falsificado
A maioria dos insetos encontrados em
pedaços de âmbar são de espécies que se extinguiram no passado. Às vezes, espécies
atuais de insetos podem estar no âmbar; de uma maneira geral, porém, trata-se de
uma falsificação: uma peça de âmbar é perfurada, e insetos ou pequenos animais são
introduzidos nela; em seguida, o buraco é tapado com uma resina da mesma cor.
Além disso, usam-se plásticos, como
celulóide, ou então vidro, para imitar o âmbar. Não é muito difícil, no entanto,
fazer a distinção entre o âmbar genuíno e as falsificações. Quando se esfregam as
imitações com um pano, elas se eletrificam muito mais fracamente do que o âmbar
verdadeiro. Além disso, o celulóide fica cheirando a cânfora, material utilizado na sua
fabricação. Também aparece esse cheiro quando o celulóide é colocada em água quente,
ou então queimado. Outros tipos de plástico, quando queimados, produzem um cheiro
desagradável de ácido fênico, e não se forma fumaça. O âmbar aquecido, ao
contrário, produz uma fumaça esbranquiçada e tem um odor adocicado de resina e de
madeira de pinheiro.
Outro teste simples para se distinguir o âmbar
de suas imitações é mergulhar a peça em água do mar ou em uma solução saturada de
sal de cozinha. O âmbar genuíno flutua; as imitações afundam, mais rapidamente ainda
mais quando são de vidro.
Se você se interessa pelo âmbar...
Há inúmeros sites na Internet
dedicados ao âmbar. Na realidade, esse artigo foi compilado a partir de informações
obtidas de vários desses sites. Basta você colocar a palavra amber num
dos instrumentos de busca, como o Yahoo, o Lycos, o Excite, etc., para descobrir uma
grande quantidade de homepages que, direta ou indiretamente, falam do âmbar.
Eu gostaria, porém, de dar uma sugestão mais
específica. Visite, no endereço da Internet que forneço abaixo, algumas fotos de peças
de âmbar, que fizeram parte de uma exposição no American Museum of Natural
History, em Nova Iorque. Ao clicar sobre a pequena foto de cada peça,
aparecerá uma foto maior mostrando o organismo aprisionado no interior da resina. O
endereço é:
http://www.amnh.org/Exhibition/Amber/index.html
Divirta-se!
Pesquisa e autoria dos profs.
César, Sezar e Bedaque
(agosto 97)
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