Voltar

 

Visitando o planeta Marte mais uma vez

Marte (http://www.yahoo.com/Science/Astronomy/Solar System/Planets/Mars/) é o quarto planeta do sistema solar em distância ao Sol. Por poder ser visto a olho nu, é conhecido deste a Antigüidade, quando foi batizado com o nome do deus da guerra na mitologia grega, Marte, por ter aspecto avermelhado como o sangue. Em 2540 a.C., um dos dias da semana já era consagrado a ele, a terça-feira, e em algumas línguas essa homenagem aparece até hoje, como no francês marties dies.

No final do século passado, o planeta ficou muito famoso devido ao anúncio da descoberta de canais gigantescos em sua superfície pelo astrônomo italiano Giovanni Schiaparelli (1835-1910) (http://www.windows.ucar.edu/cgi-bin/tour_def/people/enlightenment/schiaparelli.html). Ele acreditava que os tais canais teriam sido construídos por uma civilização avançada para a captação de água oriunda do derretimento das calotas polares no verão marciano. A discussão sobre vida inteligente em Marte, amparada em descobertas científicas, transformou Marte no mais popular planeta do sistema solar. Não faltaram desenhos dos marcianos verdes e com antenas na cabeça. Hoje sabemos que os tais canais são resultado da ação erosiva da natureza e se parecem com os canyons da Terra.

Por suas semelhanças físicas com a Terra, nosso vizinho Marte sempre foi visto como um planeta com possibilidades de um dia ser colonizado por nós. De todos os planetas do sistema solar, Marte é o que apresenta propriedades mais favoráveis para uma futura base humana fora de nosso planeta natal. Seu período de rotação (dia marciano) é de 24 h 37 m, muito próximo da duração do dia terrestre. Já o seu período de translação (ano marciano) é de 687 dias, bem mais longo que o terrestre, de 365 dias.

Na década de 1970, a sonda espacial americana Viking enviou para os laboratórios da Nasa (http://www.nasa.gov) informações importantíssimas que nos fizeram conhecer Marte muito mais profundamente. Uma das mais fantásticas descobertas da Viking foi um vulcão extinto gigantesco, que foi batizado de Monte Olimpo. Trata-se do maior vulcão do sistema solar descoberto até hoje. Vejam as suas dimensões estonteantes:
Diâmetro da cratera: 90 km
Diâmetro da base: 600 km
Altura: 25 km

Em julho de 1997, os americanos chegaram mais uma vez ao planeta vermelho, desta vez com a sonda Mars Pathfinder, que levou a bordo um jipe chamado Sojourner, de seis rodas, com instrumentos científicos e que certamente vai reescrever nosso conhecimento sobre nosso planeta irmão. O nome Pathfinder significa desbravador, o que vem bem a calhar para essa sonda. Já o nome Sojourner saiu de um concurso vencido por uma garota de 15 anos e vem do nome de uma ex-escrava, Sojourner Truth, que lutou pelos direitos das mulheres em sua época.

A missão estudará a superfície de Marte, sua atmosfera e sua geologia. Amostras de seu solo e de suas rochas estão sendo cuidadosamente analisadas e os resultados estão sendo enviados à Terra. O campo magnético do planeta também está sendo cuidadosamente estudado.

Existem missões tripuladas previstas e marcadas pelos americanos para o planeta vermelho. Breve, do mesmo modo que com a Lua, o homem poderá fincar sua bandeira em um outro planeta pela primeira vez. Apesar de toda a maravilha que estas missões espaciais representam, existem também aspectos negativos que não podem ser esquecidos. Em artigo intitulado "O peso do marketing", os astrofísicos brasileiros João Steiner e Gustavo Medina Tanco lembram que: "A exploração espacial nem sempre atende a interesses científicos. A ida do homem à Lua, por exemplo, não trouxe nenhum ganho real de conhecimento. Mas foi, sem dúvida, um grande trunfo político e tecnológico. O mesmo se pode dizer de uma futura missão tripulada a Marte. Os espaçonautas não farão nada que não fosse impossível realizar, a custos muito menores, por robôs. No fundo, o grande objetivo dessas missões espetaculares é manter a Nasa funcionando. Com uma estrutura gigantesca e burocratizada, a agência espacial americana consome cerca de 11 bilhões de dólares por ano. É claro que ela precisa gerar impactos para justificar sua existência."

Seja por motivos políticos, econômicos ou mesmo científicos, a verdade é que não podemos deixar de nos encantar com essas fantásticas missões a outros mundos. Vivemos uma época em que é possível saborear essas novas conquistas do espaço, participar delas de algum modo. E temos a chance de evitar erros do passado. A chegada do homem a outros planetas pode vir acompanhada, desta vez, de sentimentos mais nobres como o de preservar suas conquistas em vez de esgotá-las.

FOTOS 3D DE MARTE

 As fotos do planeta Marte desta página estão todas elas prontas para serem vistas em três dimensões. Para isso, use um desses óculos de papelão que acompanham alguns livros ou revistas de computação gráfica ou, se você não tiver um desses, é muito fácil construí-lo com cartolina ou papelão. Para isso, você vai precisar de papel celofane de duas cores, vermelho e azul, que irão ocupar o lugar das lentes nos óculos. Para o olho esquerdo use a cor vermelha e para o direito, a cor azul. Com ele você enxergará as fotos de Marte em um magnífico tri-dimensional.

Pesquisa e autoria dos professores César, Sezar e Bedaque
(agosto de 1997)